Banco Central Europeu eleva taxa de depósito para 2,25% após alta da inflação na região
O Banco Central Europeu elevou a taxa de depósito de 2% para 2,25% nesta quinta-feira (11). A medida ocorre após a inflação da zona do euro atingir 3,2% em maio. A instituição também revisou a projeção de preços ao consumidor para 2026, elevando-a para 3%
O Banco Central Europeu (BCE) elevou a taxa de depósito de 2% para 2,25% nesta quinta-feira (11), interrompendo um ciclo de estabilidade que durava desde 2023. A decisão, aprovada por unanimidade pelo conselho da instituição, ocorre após a inflação da zona do euro atingir 3,2% em maio, superando a meta de 2% estabelecida pelo órgão.
O movimento é a primeira resposta de um grande banco central à alta nos preços de energia decorrente do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Diante desse cenário, o BCE revisou a projeção de preços ao consumidor para 2026, elevando a estimativa de 2,6% para 3%.
A presidente da instituição, Christine Lagarde, justificou a medida em Frankfurt como um sinal necessário para evitar que a inflação saia de controle, o que dificultaria a estabilidade de preços nos anos seguintes. Lagarde pontuou que a guerra no Oriente Médio amplia a incerteza econômica e gera pressões inflacionárias na região.
A política monetária é implementada em um contexto de fragilidade econômica. A projeção de crescimento para 2026 foi ajustada para 0,8%, contra a previsão anterior de 0,9%, enquanto famílias e empresas já lidam com o encarecimento da energia.
A estratégia preventiva do BCE baseia-se na experiência de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia desencadeou uma crise inflacionária e a instituição foi criticada pela demora na reação. Atualmente, há questionamentos sobre a eficácia do aumento dos juros, dado que a inflação atual é impulsionada pela oferta de energia e não pelo excesso de demanda.
Embora Lagarde não tenha antecipado as próximas movimentações, a persistência de preços elevados e a instabilidade geopolítica mantêm a possibilidade de novos ajustes nas taxas de juros nos próximos meses.