Banco Central reduz a taxa Selic para 14% ao ano em quarta queda consecutiva
O Banco Central baixou a Selic para 14% ao ano, reduzindo a taxa em 0,25 ponto percentual. A medida ocorreu após o IPCA de junho registrar alta de 0,16% e o IPCA-15 de julho fechar em 0,06%

O Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano, representando um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar anterior de 14,25%. A decisão marca a quarta redução consecutiva do ciclo iniciado em março, impactando diretamente o CDI, que serve como referência para a renda fixa.
Indicadores de inflação e câmbio
A manutenção da política de cortes foi sustentada por dados de inflação abaixo do previsto. O IPCA de junho registrou alta de 0,16%, uma desaceleração frente aos 0,58% observados em maio. Já o IPCA-15 de julho, que funciona como prévia do índice, indicou uma queda ainda maior, fechando o mês em 0,06%.
Essa moderação nos preços foi impulsionada por fatores sazonais nos alimentos e por uma reversão parcial do impacto dos combustíveis decorrente da Guerra do Irã. Somado a isso, o dólar apresentou menor volatilidade, oscilando entre R$ 5,10 e R$ 5,20.
No boletim Focus, as instituições financeiras reduziram a projeção do IPCA para 2026 pela quinta vez seguida, baixando de 5,12% para 5,03%, embora o número permaneça acima do teto da meta. Apesar disso, a expectativa de inflação geral continua distante do objetivo de 3% ao ano estabelecido pelo Banco Central.
Perspectivas para a taxa de juros
O mercado revisou a estimativa para a Selic ao final deste ano para 13,75% ao ano, superando a percepção anterior de que a taxa não cairia abaixo de 14%. No entanto, há divergências entre as instituições financeiras sobre a continuidade dos cortes em 2026:
- Preveem que este foi o último corte do ano: Bank of America (BofA), Goldman Sachs, XP e ASA.
- Acreditam em nova redução para 13,75% ao ano: Itaú, Bradesco, BTG Pactual e Santander.
Para prazos mais longos, as projeções do Focus indicam a manutenção de juros reais elevados:
- Final de 2026: Selic em 13,75% contra inflação de 5,03%.
- Final de 2027: Selic em 12,00% contra inflação de 4,22%.
- Final de 2029: Selic em 10,00% contra inflação de 3,50%.
Esse cenário favorece a rentabilidade de ativos atrelados ao CDI, como fundos DI e títulos do Tesouro Selic.
Cenário externo e impacto do Fed
A trajetória dos juros no Brasil é monitorada em conjunto com as sinalizações do Fed (Banco Central dos Estados Unidos). Existe uma percepção crescente de que a autoridade americana elevará as taxas nas próximas reuniões, o que pode pressionar o dólar e a inflação doméstica, forçando eventuais altas na Selic.
De acordo com a ferramenta CME FedWatch, 56,9% dos investidores apostam em um aumento de juros na reunião de 16 de setembro, enquanto 43,1% preveem a manutenção da faixa atual, situada entre 3,50% e 3,75% ao ano.