Brasil atinge maior índice de formalização de empreendedores de sua série histórica em 2025
O Brasil registrou em 2025 o maior índice de formalização de empreendedores de sua série histórica, com 35% do grupo possuindo CNPJ. Segundo o IBGE, esse volume soma 10,7 milhões de pessoas em um universo de 30,6 milhões de empreendedores

O Brasil atingiu o maior índice de formalização de empreendedores de sua série histórica em 2025. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 35% dos empreendedores do país possuíam registro no CNPJ, totalizando 10,7 milhões de pessoas.
No cenário geral da economia, o país contabilizou 103 milhões de pessoas ocupadas, das quais 30,6 milhões são classificadas como empreendedores (somando empregadores e trabalhadores por conta própria). Apesar do recorde de formalização, a maioria desse grupo — cerca de 20 milhões de pessoas, ou 65% — ainda atua sem registro formal.
Evolução da formalização e impacto econômico
A trajetória de crescimento do registro de empresas mostra uma tendência ascendente desde 2012, quando apenas 24% dos empreendedores tinham CNPJ. O índice subiu para 29,3% em 2019, manteve-se em 33,6% em 2024 e alcançou o pico de 35% em 2025. O levantamento, iniciado em 2012, teve interrupções apenas em 2020 e 2021 devido à pandemia de covid-19.
A formalização via CNPJ gera benefícios diretos ao trabalhador, como a possibilidade de emitir notas fiscais, contratação de funcionários formais e acesso a crédito e serviços bancários empresariais, além de garantir direitos previdenciários. Para a economia, o movimento amplia a arrecadação de tributos.
Perfil do empreendedor e escolaridade
O IBGE divide os empreendedores em duas categorias: o empregador, que possui ao menos um funcionário, e o trabalhador por conta própria, que explora o negócio individualmente.
- Empregadores: Apresentam alta estabilidade de formalização, com 81,1% possuindo CNPJ, mantendo-se acima de 80% desde 2019.
- Trabalhadores por conta própria: Atingiram o recorde histórico de 27,1% de formalização em 2025, superando significativamente os 15% registrados em 2012.
A análise dos dados revela que a escolaridade é um fator determinante para a legalização do negócio. Pela primeira vez, mais de metade (50,8%) dos trabalhadores por conta própria com ensino superior possuem registro formal. Em contrapartida, os índices caem para 18,6% entre aqueles com ensino médio incompleto ou fundamental completo, e chegam a apenas 11% para quem não possui instrução ou tem o fundamental incompleto.
O avanço entre os profissionais mais instruídos é atribuído a políticas de desburocratização e redução de custos, com destaque para o Microempreendedor Individual (MEI). O regime simplificado permite a legalização da empresa, abertura de contas bancárias e recebimentos via boleto ou Pix, além de assegurar aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte. Para aderir ao MEI, o trabalhador deve exercer atividades permitidas, ter faturamento anual de até R$ 81 mil (salvo exceções), não ser sócio de outra empresa e contratar no máximo um empregado.
Setores e associações
A taxa de formalização varia drasticamente conforme a atividade econômica. Os setores com maior adesão ao CNPJ são:
| Atividade Econômica | Taxa de Formalização |
|---|---|
| Comércio e reparação de veículos/motos | 36,7% |
| Serviços | 33,5% |
| Indústria geral | 22,8% |
| Construção | 14,8% |
| Agropecuária, pesca e silvicultura | 6,5% |
Paralelamente, observa-se um declínio na associação de empreendedores a cooperativas, que caiu de 6,3% em 2012 para 4,7% em 2025.
Cenário da sindicalização
O número de trabalhadores sindicalizados no Brasil apresenta estabilidade após um longo período de queda. Em 2012, 16,1% dos ocupados eram sindicalizados; esse número recuou para 8,4% em 2023, subiu para 8,9% em 2024 e fechou 2025 em 8,8%, o que representa 9,1 milhões de pessoas.
O declínio mais acentuado começou em 2017, coincidindo com a reforma trabalhista que extinguiu a contribuição sindical obrigatória. Outros fatores incluem a insatisfação com os serviços oferecidos pelas entidades. O perfil demográfico da sindicalização também mudou: há baixa adesão entre os jovens e um êxodo de trabalhadores com mais de 40 anos.