Brasil e Estados Unidos discutem a aplicação de sobretaxas a produtos brasileiros em reunião virtual
Brasil e Estados Unidos realizam reunião virtual nesta segunda-feira (31) para rediscutir sobretaxas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro busca ampliar a lista de exceções e formalizou denúncia na OMC contra as medidas
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Representantes do governo brasileiro e dos Estados Unidos realizam, nesta segunda-feira (31), às 14h30, uma reunião virtual para rediscutir a aplicação de sobretaxas a produtos brasileiros exportados para o mercado americano. O encontro ocorre após um telefonema de aproximadamente uma hora e vinte minutos, ocorrido em 21 de agosto, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Na ocasião, Lula classificou a medida como infundada, o que levou ao acordo entre os chefes de Estado para a reabertura dos debates. A delegação brasileira contará com a presença dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além do diplomata Audo Faleiro.
Detalhes do tarifaço
A Casa Branca implementou dois tipos de tarifas sobre as mercadorias brasileiras:
- Sobretaxa de 25%: aplicada sob a justificativa de que o Brasil utiliza práticas desleais contra empresas dos EUA em seis áreas, incluindo etanol, propriedade intelectual, desmatamento e PIX.
- Sobretaxa de 12,5%: imposta devido à percepção de que o Brasil e outras nações falharam na fiscalização ou proibição de produtos originados de trabalho forçado.
Estratégias de negociação
O governo brasileiro busca, prioritariamente, a ampliação da lista de exceções, permitindo que mais produtos entrem nos Estados Unidos sem a incidência de taxas extras. A estratégia do Planalto e do Itamaraty é aguardar as propostas da contraparte americana para definir os pontos de convergência, já que as tratativas com o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) e o Departamento de Estado não registraram avanços nos últimos meses.
Paralelamente ao diálogo bilateral, o Brasil formalizou uma denúncia na Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as medidas americanas são discriminatórias e violam compromissos internacionais. Embora os Estados Unidos tenham se mostrado abertos à conversa, não houve confirmação sobre a reversão das taxas. Internamente, a diplomacia brasileira avalia que a ação na OMC serve mais como um posicionamento político perante a comunidade internacional do que como um caminho provável para a anulação do tarifaço.