Economia

Brasil precisa de investimentos anuais de 550 bilhões de reais em infraestrutura para atingir níveis internacionais

15 de Setembro de 2026 às 18:38 3 min de leitura

O Brasil precisa elevar os investimentos em infraestrutura para 4,65% do PIB, ou R$ 550 bilhões anuais, segundo a CNI. Em 2024, o montante foi de R$ 266,8 bilhões, com predominância do capital privado, que somou R$ 188,1 bilhões

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Brasil precisa de investimentos anuais de 550 bilhões de reais em infraestrutura para atingir níveis internacionais
© RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

O Brasil necessita elevar os investimentos em infraestrutura para 4,65% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa um aporte anual de aproximadamente R$ 550 bilhões, para sanar o déficit histórico do setor e atingir níveis internacionais. Atualmente, o volume investido é de R$ 266,8 bilhões, correspondendo a 2,27% do PIB, patamar que precisaria ser superado e mantido por ao menos duas décadas, conforme aponta estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Em 2024, a composição dos aportes revelou a predominância do capital privado, que somou R$ 188,1 bilhões (70,5% do total). Já os investimentos públicos totalizaram R$ 78,6 bilhões, com a maior parte dos recursos proveniente de estados e municípios.

Evolução do financiamento

Houve uma inversão estrutural na origem dos recursos destinados ao setor entre 2010 e 2024. A participação de fontes privadas, que era de 29,3% no período entre 2010 e 2014, saltou para 61,5% em 2024. Em valores atualizados, o capital privado subiu de uma média de R$ 88,6 bilhões (2010-2014) para R$ 184,5 bilhões no último ano.

No sentido oposto, os recursos públicos recuaram de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões no mesmo intervalo. Adicionalmente, instituições multilaterais aportaram R$ 8,4 bilhões em 2024.

Novo regime de investimentos

A CNI propõe a implementação de um novo modelo de financiamento que integre capital público e privado, com foco na expansão do mercado de capitais e em projetos de longo prazo. Para viabilizar essa mobilização, a entidade sugere a adoção de medidas como:

  • Estabilidade fiscal e macroeconômica para a redução do custo do capital;
  • Aumento de investidores institucionais e expansão do crédito privado;
  • Ampliação da oferta de projetos estruturados para parcerias e concessões;
  • Previsibilidade regulatória, segurança jurídica e autonomia técnica das agências reguladoras.

O papel do BNDES e de outras instituições públicas de desenvolvimento é destacado como essencial na estruturação de projetos, redução de riscos e atração de capital privado.

Estratégia de Estado e referências globais

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que a modernização da infraestrutura exige uma política de Estado que garanta a continuidade dos projetos independentemente da gestão governamental. Alban enfatiza que a mobilização de recursos privados depende de instituições sólidas e responsabilidade fiscal, sem que isso anule a função estratégica do investimento público.

A análise da CNI baseou-se em experiências de países como Austrália, Chile, França, Espanha, Índia, México e Reino Unido. O estudo conclui que o sucesso desses países em ampliar a capacidade de financiamento está atrelado a instituições confiáveis, estabilidade econômica, instrumentos de longo prazo e um mercado de capitais desenvolvido. Nesse cenário, o recurso público deve atuar como um indutor estratégico para atrair e alavancar o investimento privado.

Com informações de Agência Brasil

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