Brasil registra a menor criação de empregos formais para o primeiro semestre desde 2020
O Brasil criou 921,64 mil empregos formais no primeiro semestre, queda de 25% comparado ao mesmo período de 2025. O estoque total de vagas com carteira assinada chegou a 48,03 milhões em junho de 2026. No mesmo mês, foram gerados 145,16 mil postos com salário médio de admissão de R$ 2.404,34
O Brasil registrou a criação de 921,64 mil empregos formais no primeiro semestre deste ano, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O volume representa uma retração de 25% em relação ao mesmo período de 2025, quando o país abriu 1,23 milhão de vagas com carteira assinada. Este é o desempenho mais baixo para os seis primeiros meses de um ano desde 2020, época em que a pandemia de Covid-19 causou o fechamento de um milhão de postos de trabalho.
Apesar da queda na geração de novas vagas, o estoque total de empregos com carteira assinada atingiu 48,03 milhões ao final de junho de 2026. O número é superior aos 47,88 milhões registrados em maio deste ano e aos 47,07 milhões contabilizados em junho de 2025.
Impactos monetários e cenário externo
A desaceleração no mercado de trabalho ocorre em um cenário de taxa Selic em 14,25% ao ano. O patamar, definido pelo Banco Central, é o maior do mundo em termos reais entre 40 nações, segundo ranking da MoneYou. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribui a perda de ritmo na criação de vagas, além dos juros elevados, aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, bem como ao impacto de tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O Banco Central justifica a manutenção dos juros altos como ferramenta para conter a inflação e desacelerar a atividade econômica. Em ata da última reunião, o Copom destacou que a taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, enquanto os rendimentos reais médios crescem acima da produtividade do trabalho.
Desempenho mensal e salários
Em junho, foram geradas 145,16 mil vagas formais, resultado de 2,22 milhões de contratações contra 2,07 milhões de demissões. O desempenho mensal foi 10,4% inferior ao de junho de 2025, quando houve a criação de 162 mil postos, configurando o pior resultado para o mês de junho nos últimos seis anos.
Quanto à remuneração, o salário médio de admissão em junho foi de R$ 2.404,34. O valor indica um crescimento real frente aos R$ 2.387,44 de maio de 2026 e aos R$ 2.376,95 registrados em junho do ano anterior.
Distribuição setorial e indicadores complementares
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de junho de 2026 apontam que a abertura de vagas ocorreu em todas as cinco regiões do país e nos cinco setores da economia.
É importante diferenciar que os números do Caged restringem-se ao trabalho formal, não sendo comparáveis à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do IBGE, que abrange a informalidade. Pela métrica do IBGE, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em maio foi de 5,6%, a menor marca da série histórica para esse período.