Brasil registra mais de 9 milhões de indícios de fraude financeira no primeiro semestre de 2026
O Brasil teve mais de 9 milhões de indícios de fraude financeira no primeiro semestre de 2026, alta de 10,26% ante o período anterior. A engenharia social causou 40% dos casos, atingindo principalmente jovens de 18 a 34 anos e pessoas com renda de até dois salários mínimos

No primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou mais de 9 milhões de indícios de fraude financeira, o que representa um crescimento de 10,26% em comparação ao segundo semestre de 2025. Desse total, a engenharia social foi a causa de mais de 3,6 milhões de ocorrências, respondendo por 40% de todos os casos suspeitos ou confirmados, conforme dados da datatech Quod.
O perfil das vítimas revela que a vulnerabilidade é maior entre jovens de 18 a 34 anos, que somam 49,06% dos atingidos. Além disso, 58% das pessoas prejudicadas recebem até dois salários mínimos. No total, 3,1 milhões de indivíduos foram vítimas de fraudes no período, sendo que 799 mil sofreram golpes repetidamente.
Mecanismos de manipulação e tecnologia
Diferente de invasões sistêmicas, a engenharia social foca na manipulação psicológica, utilizando medo, urgência ou falsa autoridade para induzir a vítima ao erro. As táticas incluem:
- Falsos call centers: criminosos simulam alertas de transações suspeitas para obter dados.
- Falsas operações policiais: uso de intimidação para exigir transferências financeiras.
- Abordagens multicanais: combinações de SMS, e-mail, WhatsApp e ligações ao longo de dias.
O uso de inteligência artificial intensificou a eficácia desses ataques por meio da clonagem de voz, imagens e criação de documentos falsos. José Oliveira, da Certta, pontua que a IA antifraude tradicional é voltada para sistemas e identidades, enquanto a engenharia social ataca a tomada de decisão humana.
Medidas preventivas e regulação
Para conter o avanço dos crimes, o Banco Central implementou a Resolução 501, que amplia a troca de informações sobre fraudes entre bancos. Paralelamente, o Registro Unificado de Fraudes (Rufra) centraliza dados para a identificação de padrões criminosos. As instituições financeiras também aplicam biometria comportamental e IA para monitorar localização, horário e histórico de transações.
Apesar dos investimentos, a prevenção ainda é insuficiente. Um levantamento da Certta e Nexus indica que apenas 11% das conversas sobre fraudes digitais nas redes sociais focam em prevenção, predominando as denúncias após o prejuízo.
Orientações de segurança
Como quase 78% das fraudes ocorrem via celular, Danilo Coelho, da Quod, enfatiza a necessidade de desconfiar de qualquer senso de urgência. Para evitar perdas financeiras, as recomendações incluem:
- Canais oficiais: desligar ligações suspeitas e contatar o banco diretamente.
- Dados sensíveis: nunca fornecer senhas, códigos de autenticação ou emprestar a conta bancária para terceiros (contas laranja).
- Verificação de Pix: conferir rigorosamente o destinatário e o valor antes de confirmar.
- Links e autoridades: ignorar mensagens inesperadas e lembrar que investigações policiais não exigem transferências de dinheiro.
- Segurança digital: ativar a autenticação multifator e evitar decisões financeiras apressadas durante o horário de trabalho, período de maior distração.