Brasil registra superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março impulsionado pelas exportações de petróleo
O Brasil registrou superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março, com exportações de US$ 31,7 bilhões e importações de US$ 25,2 bilhões. O petróleo impulsionou as vendas, que cresceram 70,4% em valor, enquanto a China se consolidou como principal parceiro comercial. As exportações para o Oriente Médio, Estados Unidos, Canadá e Argentina recuaram no período
O Brasil encerrou março com um superávit comercial de US$ 6,4 bilhões, resultado de exportações que somaram US$ 31,7 bilhões — alta de 10% — e importações de US$ 25,2 bilhões, com crescimento de 20,1%. No detalhamento por região, as vendas para o Oriente Médio recuaram 26%, caindo de US$ 1,2 bilhão em março de 2025 para US$ 882 milhões no ano corrente, período marcado pelo início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O petróleo foi o principal motor das exportações, com alta de 70,4% em valor, totalizando US$ 4,7 bilhões, e crescimento de 75,9% em volume. Embora a guerra tenha impactado 20% do comércio global de petróleo e elevado o preço do barril, o governo não vincula diretamente esse avanço ao conflito. A tendência para os próximos meses é de retração nas vendas do óleo bruto, influenciada pela nova alíquota de 12% sobre as exportações, implementada em meados de março para compensar subsídios ao diesel.
No comércio com outros parceiros, a China consolidou sua posição como principal parceiro comercial do Brasil, com alta de 17,8% nas vendas e um superávit de US$ 3,8 bilhões. Em sentido oposto, as exportações para os Estados Unidos caíram 9,1%, resultando em um déficit comercial, com US$ 2,8 bilhões exportados contra US$ 3,3 bilhões importados. Também registraram quedas as vendas para o Canadá, com recuo de 10%, e para a Argentina, que baixaram 5,9%, embora esta última tenha mantido saldo positivo na balança. Já as exportações para a União Europeia cresceram 7,3%.
Para mitigar entraves logísticos no agronegócio destinados ao Oriente Médio e à Ásia Central, o Brasil firmou um acordo com a Turquia no final de março para a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias. Os reflexos dessa medida devem constar na balança comercial de abril. Sobre a relação direta entre a guerra e o fluxo comercial, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, afirma que ainda é prematuro mensurar a totalidade dos efeitos do conflito.