Economia

BYD lançará robôs humanoides para atendimento ao público em agosto na China

31 de Julho de 2026 às 06:38

A BYD lançará em agosto os robôs humanoides Xiaodi para atendimento ao público nos espaços Di Space, com estreia em Zhengzhou. As máquinas possuem 1,61 metro de altura e a empresa planeja produzir inicialmente 150 unidades, com meta de 20.000

BYD lançará robôs humanoides para atendimento ao público em agosto na China
Tesla

A BYD expande sua atuação no setor de tecnologia e prepara o lançamento de seus primeiros robôs humanoides para agosto. A fabricante de Shenzhen confirmou que as máquinas não serão protótipos, mas unidades prontas para uso, que atuarão no atendimento ao público e interação com visitantes nos espaços de experiência Di Space, com previsão de estreia na unidade de Zhengzhou.

O modelo, identificado pelo codinome Xiaodi, possui 1,61 metro de altura, pesa 58,5 kg e conta com 31 graus de movimento. A função principal do dispositivo é a recepção de clientes, apresentação de veículos e resposta a questionamentos. Embora a empresa mantenha a discrição, há informações de que a BYD planeja a produção inicial de 150 unidades, com a meta de atingir 20.000 robôs.

Domínio chinês e a corrida pela IA física

A entrada da BYD no segmento de robótica humanoide ocorre em um cenário de forte expansão da inteligência artificial física na China. Stella Li, vice-presidente executiva da companhia, destacou que a empresa realizou investimentos massivos em IA, projetando que o mercado chinês será o primeiro a concretizar a comercialização plena desses robôs.

Apesar do porte da BYD, a empresa enfrenta concorrência interna consolidada:

  • Xpeng: Planeja produzir mais de 1.000 humanoides por mês até o fim de 2026, com entregas do modelo Iron previstas para 2027. O CEO He Xiaopeng considera investir até US$ 13,8 bilhões no setor.
  • Unitree: Já vendeu 5.500 unidades em 2025 e detém 32% do mercado global.
  • AgiBot: Lidera as instalações mundiais com 30,4% de participação, totalizando mais de 5.100 unidades enviadas em 2025.
  • Xiaomi e Li Auto: Também possuem programas voltados para logística, hotelaria e cuidados com idosos.

Vantagem competitiva e cadeia de suprimentos

A hegemonia da China no setor é sustentada por uma integração vertical superior. No Delta do Rio Yangtzé, a proximidade de fornecedores reduz o tempo de produção de protótipos de 12 semanas (padrão nos EUA ou Alemanha) para um intervalo entre 10 e 14 dias. Além disso, o país controla cerca de 60% das terras raras e 26% da produção global de atuadores.

Dados da Counterpoint Research indicam que a China detém mais de 80% das instalações de humanoides no planeta em 2025, com aproximadamente 16.000 unidades. A projeção é que esse mercado se multiplique por seis até 2027, alcançando 100.000 unidades, sendo que 72% do uso estará concentrado em manufatura, logística e automóveis.

Em termos financeiros, a SVRC Research estima que o mercado de robótica chinês valerá US$ 14,2 bilhões em 2026. Especificamente o segmento de humanoides deve saltar de US$ 400 milhões em 2025 para US$ 2,8 bilhões em 2030, segundo a MarketsandMarkets.

Embate com a Tesla e tensões geopolíticas

Enquanto a BYD e outras chinesas avançam na comercialização, a Tesla ainda não vendeu unidades do seu robô Optimus. Embora Elon Musk projete que o dispositivo transformará a empresa em uma potência de IA física, e Allan Wang Hao tenha mencionado a possibilidade de fabricação na Gigafábrica de Xangai, a Tesla carece da capacidade de manufatura e da cadeia de suprimentos disponíveis para as empresas chinesas.

Esse cenário de dominância desencadeou reações nos Estados Unidos. A Comissão Federal de Comunicações proibiu a importação de novos modelos de robôs humanoides e quadrúpedes da China (especialmente unidades acima de dois quilos com componentes estrangeiros), citando riscos à cibersegurança e à segurança nacional. A medida afetou diretamente o Unitree G1.

Em resposta, o Ministério do Comércio da China afirmou que a proibição prejudica as relações bilaterais e ameaçou com retaliações. O conflito agora se consolida como uma disputa estratégica pelo controle da robótica e da inteligência artificial, definindo a nova dinâmica econômica do século XXI.

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