China implementa regulamento para integrar inteligência artificial e robótica ao consumo e ao comércio
A China implementou 17 medidas para integrar inteligência artificial e robótica ao comércio e ao consumo, utilizando fundos nacionais e incentivos financeiros. O plano prevê a automação de varejo e logística, além do uso de máquinas autônomas em serviços domésticos e de saúde. A estratégia inclui protocolos de segurança de dados e visa substituir a força de trabalho de 300 milhões de cidadãos próximos à aposentadoria
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F943%2F528%2Fc7e%2F943528c7e51fe80ad7f956c846b740b7.jpg)
A China implementou um novo regulamento, elaborado pelo Ministério do Comércio e outras sete organizações estatais, que estabelece 17 medidas para integrar a inteligência artificial (IA) e a robótica em espaços comerciais, produtos de consumo e hábitos de compra. O plano foca na implementação de IA corporizada — máquinas autônomas capazes de interação física — para transformar a sociedade e criar novos pontos de crescimento e qualidade no consumo.
Para viabilizar a escala do projeto, o governo chinês realocará reservas existentes, utilizará um fundo nacional dedicado à IA e direcionará recursos a instituições financeiras. O estímulo ao consumidor final ocorrerá via ampliação de programas de troca de aparelhos e oferta de descontos em juros de empréstimos para a aquisição de tecnologia. A promoção dessas iniciativas será centralizada na Conferência Mundial de Inteligência Artificial e em exposições industriais, além da criação de centros de experiência e áreas de teste em shoppings, museus, pontos turísticos e lares de idosos em grandes centros urbanos.
A estratégia abrange a disponibilização de assistentes virtuais e plataformas robóticas, divididas entre sistemas bionicos, humanoides e de quatro patas. Essas máquinas atuarão na gestão doméstica, assistência à mobilidade, monitoramento de saúde, suporte emocional e auxílio a idosos. O plano incentiva ainda a adoção de óculos e telefones com IA, casas inteligentes, dispositivos vestíveis e carros conectados.
No setor comercial, a norma exige que empresas de varejo tradicional, e-commerce e logística automatizem suas operações. Sites de compras devem criar espaços virtuais exclusivos com IA, seguindo a tendência de "superaplicações" já adotadas por Tencent e Alibaba. Paralelamente, drones e veículos autônomos serão integrados a restaurantes, ao transporte e ao ambiente acadêmico.
Para mitigar riscos, o regulamento institui protocolos de proteção de dados, segurança cibernética e combate a fraudes e abusos algorítmicos.
Essa ofensiva tecnológica visa substituir a força de trabalho de 300 milhões de cidadãos que se aproximam da aposentadoria. Na prática, a Corporação Estatal de Energia Elétrica da China investe 1 bilhão de dólares para operar 8.500 robôs na manutenção de linhas de alta tensão. No setor fabril, a AgiBot lançou 10.000 unidades em suas linhas de produção, enquanto a Xiaomi já utiliza robôs na fabricação de veículos elétricos.
A China detém o domínio da cadeia de suprimentos do setor. Em 2025, a cidade de Shenzhen produziu cerca de oito milhões de robôs. Em contrapartida, Estados Unidos e Europa enfrentam dificuldades na aquisição de componentes essenciais. Em abril de 2025, a China interrompeu a exportação de ímãs de terras raras (neodímio, ferro e boro), impactando a indústria ocidental. Um exemplo é a Tesla, cujo modelo Optimus demanda até 3,6 quilos desses ímãs, resultando na limitação do estoque da empresa a 1.000 unidades.