Comércio entre Brasil e Asean cresce para 38 bilhões de dólares em 2025
O comércio entre Brasil e Asean subiu de US$ 3 bilhões em 2003 para US$ 38 bilhões em 2025, tornando o bloco o quinto maior parceiro comercial brasileiro. O ministro Mauro Vieira busca elevar o status do país a Parceiro de Diálogo Pleno da organização. As trocas com Singapura atingiram US$ 10,7 bilhões e a agenda na Tailândia foca na reabertura do mercado para a carne brasileira

O comércio entre o Brasil e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) registrou um crescimento expressivo, saltando de US$ 3 bilhões em 2003 para US$ 38 bilhões em 2025. Com uma taxa média de expansão anual de 12%, o bloco asiático consolidou-se como o quinto maior parceiro comercial brasileiro, posicionado atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul.
Entre 2023 e 2025, as exportações brasileiras para os cinco principais mercados da região — Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia — somaram US$ 68,5 bilhões. O volume é equivalente ao exportado para cinco potências do G7 (Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França) no mesmo intervalo. No entanto, a balança comercial revela disparidades: enquanto o Brasil obteve um superávit de US$ 36 bilhões com a Asean, registrou um déficit de US$ 36,6 bilhões nas trocas com os países do G7.
Expansão diplomática e status de parceiro
O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, cumpre agenda oficial no Sudoeste Asiático para pleitear a elevação do status do Brasil a Parceiro de Diálogo Pleno da Asean, posição que atualmente é de parceiro de diálogo setorial desde 2022. O governo brasileiro projeta que essa transição ocorra durante a cúpula do bloco nas Filipinas, entre 10 e 12 de novembro, ou a partir de janeiro de 2027, sob a presidência de Singapura.
A movimentação visa diversificar a pauta comercial brasileira diante de pressões protecionistas e tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. O objetivo é que as trocas com a Asean superem, em breve, o volume comercial mantido com a Europa e os Estados Unidos.
Relações bilaterais com Singapura e Tailândia
A agenda teve início em Singapura, primeiro parceiro comercial do Brasil dentro da Asean e segundo maior na Ásia. O fluxo comercial entre as nações atingiu US$ 10,7 bilhões no último ano, alta de 23% frente a 2024. O fortalecimento dos laços é impulsionado por uma parceria de livre comércio entre Mercosul e Singapura iniciada em agosto, conectando o Brasil a uma economia com PIB de US$ 603 bilhões.
Na Tailândia, o foco central da visita oficial, ocorrida entre 8 e 10 de setembro, é a reabertura do mercado para a carne brasileira, interrompida em 2024. O intercâmbio comercial entre os dois países soma US$ 5,7 bilhões em 2025.
Além da pauta econômica, as negociações com o governo tailandês abrangem:
- Segurança alimentar, ciência, tecnologia e inovação;
- Combate ao crime organizado, com foco em fraudes cibernéticas e tráfico de pessoas;
- Cooperação consular para o resgate de trabalhadores brasileiros em situação análoga à escravidão na região.
A Asean é composta por Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos.