Economia

Consumo nos lares brasileiros cresce 2,70% entre janeiro e setembro segundo a Abras

29 de Outubro de 2026 às 18:46 2 min de leitura

O consumo nos lares brasileiros cresceu 2,70% entre janeiro e setembro, segundo a Abras. A alta é impulsionada por recordes na população ocupada e na massa de rendimento real, além de transferências do Bolsa Família e RPVs

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Consumo nos lares brasileiros cresce 2,70% entre janeiro e setembro segundo a Abras
© RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

O consumo nos lares brasileiros apresentou crescimento de 2,70% no período acumulado entre janeiro e setembro, conforme dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O índice manteve estabilidade em relação aos 2,71% registrados até agosto, enquanto o mês de setembro, isoladamente, teve alta de 0,59% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Os números foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE e abrangem todas as categorias de estabelecimentos, desde supermercados de bairro até grandes redes.

Indicadores de renda e emprego

A manutenção da trajetória positiva do consumo é impulsionada por indicadores favoráveis no mercado de trabalho. No trimestre encerrado em agosto, a taxa de desocupação foi de 5,3%, com a população ocupada atingindo 103,5 milhões de pessoas, o maior volume da série histórica.

O rendimento médio real habitual registrou R$ 3.777, alta de 3,7% frente ao mesmo período de 2025. Já a massa de rendimento real habitual alcançou R$ 385,6 bilhões — novo recorde da série —, representando um incremento anual de 4,8%, ou R$ 17,5 bilhões a mais.

Outros fatores injetaram liquidez no orçamento das famílias em setembro:

  • Bolsa Família: R$ 13,04 bilhões destinados a 19,3 milhões de famílias.
  • Requisições de Pequeno Valor (RPVs): R$ 3,22 bilhões liberados pelo Conselho da Justiça Federal para os Tribunais Regionais Federais, beneficiando mais de 278 mil pessoas.
  • Imposto de Renda: Pagamento de 521,9 mil restituições.

Políticas fiscais e impacto no abastecimento

A isenção de impostos para itens da cesta básica, incluindo proteínas como carne, frango e peixe, é apontada como medida central para sustentar o volume de compras. No entanto, há monitoramento sobre a divulgação de novas taxas tributárias na nova gestão, para evitar a oneração de outros produtos de consumo, além de atenção ao nível de endividamento das famílias.

A Abras também associa a alta nas vendas de alimentos à proibição das bets. Entre 5 e 11 de outubro de 2026, as vendas subiram 6,5%, e de 12 a 18 de outubro de 2026, o crescimento foi de 6,3%, ambos em comparação ao ano anterior.

Quanto às mudanças trabalhistas, a aprovação do fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho geram preocupação no setor. O receio é que a aplicação generalizada dessa legislação a todos os elos da cadeia possa desorganizar o sistema de abastecimento.

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