Economia

Contratações de crédito rotativo no Brasil atingem recorde de 311 bilhões de reais em 2026

02 de Outubro de 2026 às 09:38 3 min de leitura

As contratações de crédito rotativo no Brasil somaram R$ 311 bilhões nos primeiros oito meses de 2026, com taxa de inadimplência de 63,5%. O governo discute com o Banco Central a proibição de a pessoa física possuir mais de um cartão de crédito

-0:00
Contratações de crédito rotativo no Brasil atingem recorde de 311 bilhões de reais em 2026
Getty Images via BBC Brasil

As contratações de crédito rotativo no Brasil atingiram um patamar recorde, somando R$ 311 bilhões nos primeiros oito meses de 2026. O volume supera os R$ 266 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior e já se aproxima do montante total de R$ 403 bilhões contabilizado em todo o ano passado.

A modalidade, acionada quando o consumidor não quita o valor integral da fatura no vencimento, apresenta a maior taxa de juros do mercado financeiro. Em agosto deste ano, o custo anual do rotativo chegou a 445%, contrastando drasticamente com as taxas do crédito consignado, que oscilam entre 24% e 56% ao ano.

Endividamento e Inadimplência

O cenário de crédito reflete o alto nível de endividamento da população. No início de 2026, 101 milhões de brasileiros possuíam cartão de crédito, o que representa quase metade da população do país. Desse grupo, cerca de 40 milhões de pessoas estavam com dívidas no rotativo em janeiro.

A pressão dos juros impactou diretamente a capacidade de pagamento, elevando a taxa de inadimplência dessa linha de crédito para 63,5%. Na prática, isso significa que mais de R$ 60 a cada R$ 100 emprestados não foram pagos.

Histórico e Impactos Econômicos

Entre 2012 e 2020, os desembolsos anuais no rotativo não haviam ultrapassado R$ 225 bilhões. A tendência de alta disparou após a pandemia, coincidindo com o fim do Auxílio Emergencial em 2022 e a elevação da inflação, que atingiu mais de 10% em 2021 e cerca de 5,8% em 2022. Esse movimento culminou em concessões superiores a R$ 400 bilhões em 2025.

Para mitigar o impacto, o governo e o Congresso estabeleceram, em janeiro de 2024, um limite para o endividamento: o valor total do débito, incluindo juros e encargos, não pode exceder o dobro da dívida original.

Medidas de Controle e Alternativas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, nesta quinta-feira (1), que discute com o Banco Central a proibição de a pessoa física possuir mais de um cartão de crédito, visando conter o endividamento recorde.

Paralelamente, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou a necessidade de uma discussão estrutural, pois linhas emergenciais como o rotativo estão sendo utilizadas como complemento de renda. O objetivo é criar arranjos de crédito mais saudáveis para o consumidor.

Como alternativa de menor custo, o governo implementou o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, com R$ 130 bilhões liberados até junho deste ano, permitindo a utilização do FGTS como garantia.

Notícias Relacionadas