Contratações de crédito rotativo no Brasil atingem recorde de 311 bilhões de reais em 2026
As contratações de crédito rotativo no Brasil somaram R$ 311 bilhões nos primeiros oito meses de 2026, com taxa de inadimplência de 63,5%. O governo discute com o Banco Central a proibição de a pessoa física possuir mais de um cartão de crédito
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As contratações de crédito rotativo no Brasil atingiram um patamar recorde, somando R$ 311 bilhões nos primeiros oito meses de 2026. O volume supera os R$ 266 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior e já se aproxima do montante total de R$ 403 bilhões contabilizado em todo o ano passado.
A modalidade, acionada quando o consumidor não quita o valor integral da fatura no vencimento, apresenta a maior taxa de juros do mercado financeiro. Em agosto deste ano, o custo anual do rotativo chegou a 445%, contrastando drasticamente com as taxas do crédito consignado, que oscilam entre 24% e 56% ao ano.
Endividamento e Inadimplência
O cenário de crédito reflete o alto nível de endividamento da população. No início de 2026, 101 milhões de brasileiros possuíam cartão de crédito, o que representa quase metade da população do país. Desse grupo, cerca de 40 milhões de pessoas estavam com dívidas no rotativo em janeiro.
A pressão dos juros impactou diretamente a capacidade de pagamento, elevando a taxa de inadimplência dessa linha de crédito para 63,5%. Na prática, isso significa que mais de R$ 60 a cada R$ 100 emprestados não foram pagos.
Histórico e Impactos Econômicos
Entre 2012 e 2020, os desembolsos anuais no rotativo não haviam ultrapassado R$ 225 bilhões. A tendência de alta disparou após a pandemia, coincidindo com o fim do Auxílio Emergencial em 2022 e a elevação da inflação, que atingiu mais de 10% em 2021 e cerca de 5,8% em 2022. Esse movimento culminou em concessões superiores a R$ 400 bilhões em 2025.
Para mitigar o impacto, o governo e o Congresso estabeleceram, em janeiro de 2024, um limite para o endividamento: o valor total do débito, incluindo juros e encargos, não pode exceder o dobro da dívida original.
Medidas de Controle e Alternativas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, nesta quinta-feira (1), que discute com o Banco Central a proibição de a pessoa física possuir mais de um cartão de crédito, visando conter o endividamento recorde.
Paralelamente, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou a necessidade de uma discussão estrutural, pois linhas emergenciais como o rotativo estão sendo utilizadas como complemento de renda. O objetivo é criar arranjos de crédito mais saudáveis para o consumidor.
Como alternativa de menor custo, o governo implementou o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, com R$ 130 bilhões liberados até junho deste ano, permitindo a utilização do FGTS como garantia.