Economia

Copom mantém taxa Selic em 13,75% e intensifica tensões entre governo e Banco Central

05 de Novembro de 2026 às 10:32 3 min de leitura

O Copom manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano devido a pressões inflacionárias e incertezas fiscais. A decisão gerou críticas do governo federal, enquanto o Ministério da Fazenda define medidas para atingir o superávit primário de 0,5% do PIB

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A manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), intensificou as tensões entre o governo federal e o Banco Central. O órgão justificou a interrupção do ciclo de cortes com base nas pressões inflacionárias de curto prazo e nas incertezas que envolvem a área fiscal. O movimento já era previsto pela maioria do mercado, que associa a estabilidade dos juros à alta da inflação e ao risco de déficit nas contas públicas.

Divergências sobre a política monetária

O PT e setores da equipe presidencial criticam a decisão, argumentando que o Banco Central cedeu às pressões do mercado. O vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que a interrupção da queda dos juros ocorreu justamente pela vitória de Lula, sugerindo que o cenário seria oposto caso Flávio Bolsonaro tivesse sido eleito.

Recentemente, o partido chegou a apoiar a tese do economista André Lara Resende, que propunha a redução da taxa de juros para 7,5% ao ano em doze meses, seguida pela implementação de um teto para os juros e para a meta fiscal. A proposta, no entanto, foi rechaçada por economistas, que alertaram para a inexistência de precedentes internacionais e para os riscos envolvidos.

Gestão fiscal e metas do PIB

Para o próximo ano, a meta fiscal prevê um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O ministro da Fazenda, Dario Durigan, trabalha com sua equipe na definição de medidas para assegurar o cumprimento desse índice. As propostas serão apresentadas ao presidente após o retorno de sua viagem à Turquia, para a COP 30, programada entre os dias 9 e 12 de novembro.

No próximo domingo, Lula fará um pronunciamento para reafirmar o compromisso com a responsabilidade fiscal, assegurando que as promessas de campanha serão mantidas e que não haverá cortes em programas sociais, descartando a prática de "estelionato eleitoral" — termo usado para descrever quando um governante adota medidas contrárias ao que prometeu na campanha.

Indicações para a diretoria do Banco Central

A disputa política se estende às nomeações para a cúpula do BC. Atualmente, há duas vagas abertas nas áreas de Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro, com a previsão de que outras duas, de Política Monetária e Fiscalização, sejam abertas em fevereiro.

Embora haja pressão interna no PT para que o presidente indique diretores favoráveis à redução dos juros, interlocutores de Lula indicam que essa estratégia não será adotada. A medida é vista como um risco que poderia provocar crises com investidores e sinalizar uma interferência na autonomia do Banco Central.

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