Copom reduz Taxa Selic para 14,5% ao ano em segundo corte consecutivo
O Copom reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando os juros básicos em 14,5% ao ano. A decisão ocorreu em cenário de aceleração do IPCA-15, que registrou 0,89% em abril
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando os juros básicos da economia em 14,5% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, representa o segundo corte consecutivo da taxa, que havia permanecido em 15% ao ano entre junho de 2025 e março deste ano, atingindo o patamar mais alto em quase duas décadas.
A movimentação ocorre em um cenário de pressões inflacionárias. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, registrou aceleração para 0,89% em abril, elevando o acumulado de 12 meses para 4,37%, superando os 3,9% registrados em março. O índice cheio de abril será divulgado no dia 12 de maio.
O Banco Central opera sob o sistema de meta contínua, implementado em janeiro de 2025, com meta de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Nesse modelo, a apuração da inflação acumulada em 12 meses é realizada mensalmente, deslocando a verificação ao longo do tempo em vez de se restringir ao fechamento de dezembro.
O cenário externo, especificamente o conflito no Oriente Médio, impactou os preços de alimentos e combustíveis, elevando a incerteza sobre a duração dos conflitos e seus reflexos nos modelos de projeção. Em comunicado, o Copom informou que monitora esses efeitos e destacou que as projeções de inflação apresentam um distanciamento maior em relação à meta no horizonte de política monetária.
As expectativas do mercado, consolidadas no boletim Focus, são mais pessimistas que as da autoridade monetária. Enquanto o Banco Central elevou a previsão do IPCA para 2026 de 3,5% para 3,6% no último Relatório de Política Monetária, as instituições financeiras projetam inflação de 4,86% para o ano, superando o teto da meta. Antes do início da guerra no Oriente Médio, a estimativa do mercado era de 3,95%.
Quanto à atividade econômica, o Banco Central mantém a previsão de crescimento do PIB em 1,6% para 2026, enquanto o boletim Focus projeta uma expansão de 1,85%. A redução da Selic visa baratear o crédito e estimular a produção e o consumo, embora a queda dos juros possa dificultar o controle de preços.
No âmbito administrativo, o Banco Central anunciou a ausência do diretor Rodrigo Teixeira na reunião deste mês, devido ao falecimento de um parente de primeiro grau. A próxima edição do Relatório de Política Monetária será publicada no final de junho.