Economia

Déficit comercial dos Estados Unidos cresce 42,2% em maio e atinge US$ 77,6 bilhões

07 de Julho de 2026 às 12:06

O déficit comercial dos Estados Unidos subiu 42,2% em maio, chegando a US$ 77,6 bilhões. O resultado foi causado pelo aumento de 3,3% nas importações e a queda de 3,2% nas exportações

O déficit comercial dos Estados Unidos registrou um salto de 42,2% em maio, atingindo US$ 77,6 bilhões (aproximadamente R$ 400 bilhões). O resultado, divulgado pelo governo nesta terça-feira (7), foi reflexo de um crescimento de 3,3% nas importações, que somaram US$ 395,3 bilhões (R$ 2,04 trilhões), enquanto as exportações recuaram 3,2%, totalizando US$ 317,7 bilhões (R$ 1,64 trilhão).

O Departamento de Comércio destacou que a alta nas compras externas foi impulsionada por bens de consumo, petróleo bruto, insumos industriais, automóveis, peças e equipamentos de informática. A demanda por insumos e equipamentos para a construção de centros de dados, motivada pelos investimentos em inteligência artificial, também elevou o volume de importações. No campo das exportações, houve queda no envio de medicamentos, embora as vendas de petróleo bruto e derivados tenham subido após os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro.

Esse cenário ocorre enquanto a administração de Donald Trump mantém uma política de tarifas para encarecer produtos estrangeiros, estimular a indústria doméstica e reduzir a dependência de fornecedores externos. Atualmente, vigora uma tarifa global mínima de 10% sobre a maioria dos produtos, com taxas adicionais para setores como aço, alumínio, automóveis e autopeças. Essa alíquota de 10% é uma medida temporária, adotada após a Suprema Corte derrubar, em fevereiro, as tarifas de dois dígitos impostas anteriormente, e deve expirar ainda este mês.

Apesar das barreiras tarifárias, as empresas americanas ampliaram a aquisição de itens essenciais, como componentes industriais, petróleo e tecnologia. Esse movimento indica que a política de estímulo à produção interna ainda não surtiu o efeito esperado, sugerindo que companhias podem ter antecipado importações para evitar reajustes tarifários futuros, enquanto retaliações de outros países pressionam as vendas externas dos EUA.

Paralelamente, o governo americano conduz investigações comerciais baseadas na Seção 301, que podem resultar em novas tarifas para diversos países, incluindo o Brasil. Audiências com o representante comercial americano ocorrem nesta semana com a participação de entidades e empresas; contudo, o governo brasileiro optou por não participar, priorizando negociações bilaterais.

O resultado de maio reverte a tendência de abril, quando o saldo negativo da balança comercial havia recuado em relação a março, impulsionado pelo recorde mensal de exportações de petróleo e derivados. O desempenho de maio também foi influenciado por alterações nos fluxos do comércio internacional e aumento de demanda decorrentes da guerra no Oriente Médio.

Com informações de G1

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