Economia

Delta Air Lines instalará rede de internet da Amazon Leo em 500 aeronaves a partir de 2028

09 de Abril de 2026 às 18:25

A Delta Air Lines instalará a rede Amazon Leo em 500 aeronaves a partir de 2028. O acordo, anunciado em 31 de março de 2026, integra internet via satélite ao sistema Delta Sync Wi-Fi. A Amazon solicitou à FCC a prorrogação do prazo para posicionar metade de sua rede inicial

A Delta Air Lines firmou um acordo de longo prazo para implementar a rede Amazon Leo em sua frota, com a instalação do sistema em 500 aeronaves prevista para iniciar em 2028. O anúncio, realizado em 31 de março de 2026, insere a Amazon na disputa direta com a Starlink, da SpaceX, pelo mercado de conectividade aérea. A estratégia da companhia aérea integra a internet via satélite ao Delta Sync Wi-Fi e a serviços de personalização de experiência do passageiro, aproveitando a relação comercial já estabelecida com a Amazon Web Services para digitalizar operações e coletar dados em tempo real.

A Amazon busca recuperar terreno em um setor onde a Starlink detém vantagem competitiva. A rede da SpaceX já possui contratos com as companhias United, Alaska e Southwest. No caso da United, a implantação foi acelerada para abranger toda a frota, com a oferta de acesso gratuito para membros do programa MileagePlus. A escala da Starlink é sustentada por uma base de mais de 6 milhões de clientes em 140 países, atendendo desde governos e segurança nacional dos Estados Unidos até o setor corporativo.

Para a Amazon, a entrada na Delta e o contrato anterior com a JetBlue servem como vitrines globais. Em carta aos acionistas de 9 de abril de 2026, o CEO Andy Jassy confirmou que a Amazon Leo já possui compromissos de receita com governos e empresas, prevendo o lançamento comercial amplo do serviço para meados de 2026. Contudo, a viabilidade operacional depende da expansão da constelação. Após iniciar lançamentos em abril de 2025, a empresa atingiu a marca de 241 satélites em órbita, número distante da meta de 3.236 autorizada pela FCC. Devido a esse ritmo, a Amazon solicitou à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos a prorrogação por dois anos do prazo para posicionar metade da rede inicial, originalmente previsto para julho de 2026.

O mercado de aviação apresenta reações distintas quanto à adoção dessa tecnologia. O Lufthansa Group planeja equipar toda a sua frota com Starlink até 2029, iniciando a implementação no segundo semestre de 2026. Em 24 de março de 2026, a SAS tornou-se a primeira aérea europeia a instalar o serviço em um Airbus A320. Em contrapartida, a Ryanair rejeitou a tecnologia da SpaceX em janeiro de 2026; o CEO Michael O’Leary argumentou que o peso e o arrasto do equipamento aumentariam o consumo de combustível, tornando o custo inviável para operações de voos curtos.

A transição para redes de órbita baixa altera a lógica do Wi-Fi a bordo, que deixa de ser uma receita acessória baseada em tarifas extras para se tornar um elemento de fidelização e valor agregado, especialmente em rotas longas e segmentos premium.

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