Economia

Desemprego entre pessoas pretas supera a média nacional no primeiro trimestre de 2026

15 de Maio de 2026 às 06:11

No primeiro trimestre de 2026, o desemprego de pessoas pretas foi de 7,6%, índice 55% superior ao de brancos (4,9%). A desocupação de pardos ficou em 6,8%, enquanto a média nacional foi de 6,1%. A informalidade atingiu 41,6% entre pardos, 40,8% entre pretos e 32,2% entre brancos

Desemprego entre pessoas pretas supera a média nacional no primeiro trimestre de 2026
© TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

A taxa de desemprego entre pessoas pretas atingiu 7,6% no primeiro trimestre de 2026, superando a média nacional de 6,1%. O índice é 55% superior ao registrado para a população branca, cuja taxa de desocupação foi de 4,9%. Esse gap de desigualdade é maior do que os 52,5% observados no último trimestre de 2025 e os 50% apurados nos três primeiros meses do ano anterior. Historicamente, a maior disparidade ocorreu no segundo trimestre de 2020, com 69,8%, enquanto a menor diferença foi de 43,6% no segundo trimestre de 2021. No início da série histórica, em 2012, o desemprego de pretos era 44,8% maior que o de brancos.

A desvantagem também se reflete no grupo de pardos, que apresentou desocupação de 6,8%, patamar 38,8% acima do índice dos brancos. No último trimestre de 2025, essa diferença era de 47,5%. Desde o começo da pesquisa, a disparidade para pardos era de 37,3%, tendo atingido o pico de 50,84% no terceiro trimestre de 2023 e a mínima de 33,3% no segundo trimestre do ano passado.

A desigualdade se estende à formalidade do emprego. Com a média nacional de informalidade em 37,3% — abrangendo autônomos, empregadores sem CNPJ e trabalhadores sem carteira —, os índices por cor revelam que brancos possuem a menor taxa de informalidade (32,2%), enquanto pardos e pretos registram 41,6% e 40,8%, respectivamente.

William Kratochwill, analista da pesquisa, atribui a diferença entre pretos, pardos e brancos a questões estruturais. Para ele, a disparidade pode estar ligada a fatores que vão além da cor da pele, como a região de residência e o nível de instrução, demandando estudos mais aprofundados sobre diversas características para a determinação exata das causas.

No recorte de gênero, a desocupação feminina foi de 7,3% no primeiro trimestre de 2026, índice 43,1% superior ao dos homens, que registraram 5,1%. No início da série, a diferença era de 69,4%, com a menor marca de 27% no segundo trimestre de 2020. Já na informalidade, a taxa masculina (38,9%) supera a feminina (35,3%).

A análise por faixa etária indica que jovens de 14 a 17 anos possuem a maior taxa de desemprego, com 25,1%. Kratochwill explica que esse grupo tende a aceitar vagas temporárias e com menor estabilidade para ingressar no mercado e construir currículo. No extremo oposto, pessoas com 60 anos ou mais apresentam a menor desocupação (2,5%), período em que a maioria começa a deixar o mercado de trabalho.

Os dados baseiam-se na autoidentificação dos respondentes. A população alvo do levantamento (pessoas com 14 anos ou mais) é composta por 45,4% de pardos, 42,5% de brancos e 11,1% de pretos. A Pnad trimestral não detalhou os índices de indígenas e amarelos.

Com informações de Agência Brasil

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