Desemprego juvenil tende a subir em oito das onze regiões globais entre 2023 e 2025
A taxa de desemprego juvenil tende a subir em oito de 11 regiões globais entre 2023 e 2025. No Brasil, a desocupação entre 18 e 24 anos é de 13,8%, enquanto na China e na União Europeia os índices urbanos e gerais de jovens foram de 15,6% e 15,2%, respectivamente, em maio
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/m/X/YciedMSAyHJi1dmX5OJQ/75117185-1004.webp)
A taxa de desemprego juvenil apresenta tendência de alta em oito das 11 regiões globais entre 2023 e 2025, com recuos acentuados nas contratações dos setores de serviços, construção e manufatura. O cenário é marcado por um distanciamento crescente entre o índice de desocupação de jovens (geralmente entre 15 e 24 anos) e a média geral de desemprego nos países, reflexo da baixa experiência profissional e de barreiras na entrada do mercado.
No Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta que a desocupação na faixa de 18 a 24 anos chega a 13,8%, valor que supera em mais de duas vezes a média nacional de 5,8%. Além disso, quase 20% da população entre 14 e 24 anos não estão estudando nem trabalhando.
O cenário na Ásia e Europa
A China exemplifica a crise de absorção de mão de obra qualificada. Com a expansão das matrículas e a formação de graduados em ritmo superior à criação de postos de trabalho, o país enfrenta subemprego e desaceleração econômica. Em maio, o desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos foi de 15,6% — o menor nível em 11 meses, mas ainda significativamente superior à taxa geral de 5%. Vale notar que, desde 2023, estudantes universitários foram excluídos dessas estatísticas oficiais.
Na União Europeia, a taxa de desemprego juvenil registrou 15,2% em maio, enquanto a média geral ficou em 5,9%. Embora a proporção de jovens fora do sistema educacional e laboral tenha crescido em países como Alemanha e Áustria, houve queda em grande parte do sul do continente. Na Alemanha, estudantes demonstram menor otimismo quanto à recolocação pós-graduação do que há dois anos, priorizando a estabilidade do emprego em detrimento do salário.
Impactos da tecnologia e dinâmica econômica
A relação entre o diploma universitário e a estabilidade de cargos de colarinho-branco tem sido fragilizada pela desaceleração das contratações e pelo avanço tecnológico. A inteligência artificial (IA) surge como um fator de insegurança, especialmente em funções de entrada. No Reino Unido, vagas para graduados recuaram mais rapidamente do que postos para pessoas sem ensino superior, com maior exposição à IA.
Pesquisas indicam que regiões com adoção acelerada de IA apresentaram crescimento mais lento no emprego de jovens entre 15 e 24 anos, embora a ocupação de trabalhadores em idade principal tenha se mantido estável. Contudo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e acadêmicos da University College London ponderam que o impacto da tecnologia é secundário frente ao ciclo econômico. A falta de dinamismo das economias e a elevação das exigências dos empregadores impedem que a criação de vagas acompanhe o fluxo de novos ingressantes no mercado.
Consequências sociais e setoriais
A escassez de oportunidades gera impactos diretos no consumo, no mercado imobiliário, no adiamento da constituição de famílias e no aumento do endividamento e da frustração social. Esse quadro tem impulsionado instabilidades políticas:
- Manifestações: Protestos ocorreram no Quênia, Peru, Nepal, Indonésia, Filipinas, África do Sul e Marrocos.
- Movimentos Políticos: Na Índia, a insatisfação juvenil deu visibilidade ao Partido Cockroach Janta, originado de uma sátira em redes sociais.
Apesar da crise em setores tradicionais, áreas intensivas em conhecimento e alta qualificação técnica — como engenharia, saúde, ciência e tecnologia da informação e comunicação — seguem em expansão na maioria das nações.