Dívida Pública Federal sobe para 9,033 trilhões de reais em junho
A Dívida Pública Federal subiu 2,66% em junho, atingindo R$ 9,033 trilhões devido à emissão de títulos atrelados à Taxa Selic. O estoque da dívida externa cresceu 2,12%, enquanto as reservas financeiras chegaram a R$ 1,346 trilhão

A Dívida Pública Federal (DPF) registrou alta de 2,66% em junho, saltando de R$ 8,798 trilhões, em maio, para R$ 9,033 trilhões. O avanço foi impulsionado, principalmente, pela emissão expressiva de títulos atrelados à Taxa Selic.
O Tesouro Nacional detalhou que a emissão de títulos da DPMFi somou R$ 149,49 bilhões no período, sendo que R$ 102,57 bilhões foram vinculados aos juros básicos. No mesmo mês, os resgates foram baixos, totalizando R$ 6,14 bilhões.
A pressão sobre o endividamento também é reflexo da apropriação de juros, processo no qual o governo incorpora mensalmente a correção dos títulos ao estoque da dívida. Atualmente, a Taxa Selic está fixada em 14,25% ao ano.
Composição e Perfil do Endividamento
A predominância de papéis vinculados à Selic elevou a participação dessa modalidade na DPF, que subiu de 48,99% para 49,32%. Em contrapartida, os títulos corrigidos pela inflação recuaram de 26,26% para 25,9%. Os papéis prefixados passaram de 21% para 21,04%, enquanto os vinculados ao câmbio tiveram leve queda, de 3,75% para 3,74%.
Para o fechamento do ano, o Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta os seguintes intervalos de composição:
- Títulos vinculados à Selic: 46% a 50%;
- Títulos corrigidos pela inflação: 23% a 27%;
- Títulos prefixados: 21% a 25%;
- Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%.
A Dívida Pública Federal externa (DPFe) também apresentou crescimento de 2,12%, subindo de R$ 340,49 bilhões para R$ 347,71 bilhões, movimento influenciado pela valorização de 2,37% do dólar em junho.
Reservas e Prazos
O colchão da dívida pública, reserva financeira utilizada para enfrentar turbulências ou concentrações de vencimentos, atingiu seu maior nível histórico desde 2015, subindo de R$ 1,211 trilhão para R$ 1,346 trilhão. O resultado decorre de emissões superiores aos resgates. Atualmente, esse montante cobre 8,33 meses de vencimentos, sendo que a previsão para os próximos 12 meses é o vencimento de R$ 1,86 trilhão em títulos federais.
Quanto ao prazo médio de renovação da DPF, houve uma redução de 4,07 para 4,01 anos.
Detentores dos Títulos
A distribuição da dívida pública interna entre os investidores apresenta a seguinte configuração:
- Instituições financeiras: 31,76%
- Fundos de pensão: 22,52%
- Fundos de investimentos: 22%
- Demais grupos: 13,77%
- Não-residentes: 9,95%
A fatia de investidores estrangeiros registrou queda em relação aos 10,14% de maio, reflexo da maior tensão no mercado financeiro em junho devido ao conflito no Oriente Médio.
Apesar do crescimento recente, o estoque da DPF permanece abaixo do previsto no PAF, que estima que a dívida encerre 2026 em um intervalo entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.