Economia

Dívida Pública Federal sobe para R$ 9,288 trilhões em julho impulsionada por juros

27 de Agosto de 2026 às 09:44 3 min de leitura

A Dívida Pública Federal subiu 0,22% em julho, chegando a R$ 9,288 trilhões, impulsionada por R$ 89,95 bilhões em juros. Enquanto a dívida mobiliária interna cresceu 0,31%, a externa recuou 2,12%, atingindo R$ 340,06 bilhões. O colchão da dívida alcançou R$ 1,346 trilhão, o maior nível desde 2015

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Dívida Pública Federal sobe para R$ 9,288 trilhões em julho impulsionada por juros
© JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

A Dívida Pública Federal (DPF) registrou alta de 0,22% em julho, atingindo R$ 9,288 trilhões, após ter fechado junho em R$ 9,268 trilhões. O avanço foi impulsionado pela apropriação de R$ 89,95 bilhões em juros, fator que neutralizou a redução do endividamento, embora o montante total permaneça abaixo das projeções oficiais.

Dinâmica dos títulos e impacto da Selic

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), composta por títulos, subiu 0,31%, saltando de R$ 8,921 trilhões para R$ 8,948 trilhões. Durante o mês, o Tesouro Nacional realizou resgates de R$ 260,05 bilhões — volume concentrado em títulos prefixados devido aos vencimentos típicos do início do trimestre —, enquanto as emissões somaram R$ 198,14 bilhões. Desse total emitido, R$ 124,11 bilhões foram vinculados à Taxa Selic.

O saldo entre resgates e emissões resultou em uma redução líquida de R$ 61,91 bilhões. No entanto, a correção mensal dos juros incorporada ao estoque da dívida, pressionada pela Selic em 14% ao ano, impediu que o indicador recuasse.

Em contrapartida, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou queda de 2,12%, recuando de R$ 347,71 bilhões em junho para R$ 340,06 bilhões em julho, reflexo da desvalorização de 1,92% do dólar no período.

Composição e prazos do endividamento

A estrutura da DPF sofreu alterações entre junho e julho, com destaque para o aumento da dependência de juros básicos:

  • Títulos vinculados à Selic: subiram de 49,32% para 51,11%;
  • Títulos corrigidos pela inflação: passaram de 25,9% para 26,02%;
  • Títulos prefixados: caíram de 21,04% para 19,22%;
  • Títulos vinculados ao câmbio: recuaram de 3,74% para 3,65%.

O Plano Anual Financeiro (PAF) prevê que, até o fim do ano, a fatia de papéis atrelados à Selic fique entre 49% e 53%, enquanto os corrigidos pela inflação devem oscilar entre 21% e 25%, os prefixados entre 20% e 24% e os cambiais entre 3% e 7%.

O prazo médio para o refinanciamento da dívida subiu de 4,01 para 4,05 anos, indicando maior confiança dos investidores na solvência do governo.

Reservas e perfil dos detentores

O colchão da dívida pública, reserva financeira para contingências e vencimentos concentrados, atingiu seu maior nível histórico desde 2015, chegando a R$ 1,346 trilhão em julho. Atualmente, esse montante é suficiente para cobrir 7,81 meses de vencimentos, sendo que a previsão para os próximos 12 meses é de R$ 1,76 trilhão em títulos a vencer.

Quanto aos detentores da dívida interna, a distribuição ficou assim definida:

DetentorParticipação
Instituições financeiras31,35%
Fundos de pensão22,73%
Fundos de investimentos22,23%
Demais grupos13,87%
Não-residentes (estrangeiros)9,82%

A participação de investidores estrangeiros recuou em relação aos 9,95% registrados em junho, movimento atribuído ao aumento da tensão no mercado financeiro global devido ao conflito no Oriente Médio.

Com informações de Agência Brasil

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