Dívida Pública Federal sobe para R$ 9,288 trilhões em julho impulsionada por juros
A Dívida Pública Federal subiu 0,22% em julho, chegando a R$ 9,288 trilhões, impulsionada por R$ 89,95 bilhões em juros. Enquanto a dívida mobiliária interna cresceu 0,31%, a externa recuou 2,12%, atingindo R$ 340,06 bilhões. O colchão da dívida alcançou R$ 1,346 trilhão, o maior nível desde 2015

A Dívida Pública Federal (DPF) registrou alta de 0,22% em julho, atingindo R$ 9,288 trilhões, após ter fechado junho em R$ 9,268 trilhões. O avanço foi impulsionado pela apropriação de R$ 89,95 bilhões em juros, fator que neutralizou a redução do endividamento, embora o montante total permaneça abaixo das projeções oficiais.
Dinâmica dos títulos e impacto da Selic
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), composta por títulos, subiu 0,31%, saltando de R$ 8,921 trilhões para R$ 8,948 trilhões. Durante o mês, o Tesouro Nacional realizou resgates de R$ 260,05 bilhões — volume concentrado em títulos prefixados devido aos vencimentos típicos do início do trimestre —, enquanto as emissões somaram R$ 198,14 bilhões. Desse total emitido, R$ 124,11 bilhões foram vinculados à Taxa Selic.
O saldo entre resgates e emissões resultou em uma redução líquida de R$ 61,91 bilhões. No entanto, a correção mensal dos juros incorporada ao estoque da dívida, pressionada pela Selic em 14% ao ano, impediu que o indicador recuasse.
Em contrapartida, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou queda de 2,12%, recuando de R$ 347,71 bilhões em junho para R$ 340,06 bilhões em julho, reflexo da desvalorização de 1,92% do dólar no período.
Composição e prazos do endividamento
A estrutura da DPF sofreu alterações entre junho e julho, com destaque para o aumento da dependência de juros básicos:
- Títulos vinculados à Selic: subiram de 49,32% para 51,11%;
- Títulos corrigidos pela inflação: passaram de 25,9% para 26,02%;
- Títulos prefixados: caíram de 21,04% para 19,22%;
- Títulos vinculados ao câmbio: recuaram de 3,74% para 3,65%.
O Plano Anual Financeiro (PAF) prevê que, até o fim do ano, a fatia de papéis atrelados à Selic fique entre 49% e 53%, enquanto os corrigidos pela inflação devem oscilar entre 21% e 25%, os prefixados entre 20% e 24% e os cambiais entre 3% e 7%.
O prazo médio para o refinanciamento da dívida subiu de 4,01 para 4,05 anos, indicando maior confiança dos investidores na solvência do governo.
Reservas e perfil dos detentores
O colchão da dívida pública, reserva financeira para contingências e vencimentos concentrados, atingiu seu maior nível histórico desde 2015, chegando a R$ 1,346 trilhão em julho. Atualmente, esse montante é suficiente para cobrir 7,81 meses de vencimentos, sendo que a previsão para os próximos 12 meses é de R$ 1,76 trilhão em títulos a vencer.
Quanto aos detentores da dívida interna, a distribuição ficou assim definida:
| Detentor | Participação |
|---|---|
| Instituições financeiras | 31,35% |
| Fundos de pensão | 22,73% |
| Fundos de investimentos | 22,23% |
| Demais grupos | 13,87% |
| Não-residentes (estrangeiros) | 9,82% |
A participação de investidores estrangeiros recuou em relação aos 9,95% registrados em junho, movimento atribuído ao aumento da tensão no mercado financeiro global devido ao conflito no Oriente Médio.