Dólar atinge maior patamar desde agosto e Banco Central vende um bilhão de dólares
O dólar fechou em R$ 5,1931, com alta de 0,47%, enquanto o Ibovespa recuou 0,99% para 183.965,91 pontos. O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão para conter a volatilidade e reduziu a projeção do PIB de 2026 para 1,8%. O governo elevou a estimativa de déficit efetivo para 2026 para R$ 80,9 bilhões

O dólar encerrou a sessão em R$ 5,1931, com valorização de 0,47%, atingindo o patamar mais elevado desde o final de agosto. Com esse resultado, a moeda norte-americana acumula alta de 0,26% em setembro, embora mantenha uma desvalorização de 5,39% no acumulado do ano.
O movimento foi impulsionado pela valorização do dólar globalmente, refletida no índice DXY, que subiu 0,14% para 101,270 pontos. No cenário externo, a pressão foi intensificada pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasury), com o papel de dez anos atingindo 5,2209%, superando a marca de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007. Esse cenário, somado às preocupações com a inflação nos EUA e a perspectiva de juros elevados pelo Federal Reserve, estimulou a saída de capital de mercados emergentes.
Intervenção do Banco Central e projeções econômicas
Para conter a volatilidade e ampliar a liquidez do mercado, o Banco Central realizou a venda de US$ 1 bilhão por meio de dois leilões de linha simultâneos, operação na qual a autoridade monetária vende dólares com compromisso de recompra futura. A medida ocorre após a divulgação de que o fluxo cambial brasileiro registrou saldo negativo de US$ 7,078 bilhões entre o início de setembro e o dia 18.
Simultaneamente, a autoridade monetária revisou suas projeções para o PIB, reduzindo a estimativa de crescimento para 2026 de 2% para 1,8%, enquanto a previsão para 2027 permanece em 1,4%.
Queda no Ibovespa e cenário fiscal
O Ibovespa recuou 0,99%, fechando em 183.965,91 pontos. A oscilação do índice, que variou entre a mínima de 183.834,97 e a máxima de 186.211,43 pontos, refletiu a aversão global a ativos de risco e a instabilidade doméstica.
No plano interno, o mercado reagiu a novas projeções das contas públicas apresentadas pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento. O governo reduziu a meta de contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, mas elevou a projeção de déficit efetivo para 2026, que agora deve chegar a R$ 80,9 bilhões. O cenário foi agravado pela divulgação de novas pesquisas eleitorais.
Alta nas commodities
O mercado de petróleo registrou forte avanço devido às incertezas nas negociações entre Estados Unidos e Irã, especialmente quanto à reabertura do Estreito de Ormuz.
- Brent: subiu 3,41%, cotado a US$ 106,60 por barril (alta superior a 18% no mês).
- WTI: avançou 2,65%, fechando a US$ 94,61 por barril.
Embora a cotação tenha recuado levemente à tarde com notícias sobre possíveis acordos diplomáticos, a falta de definições manteve a pressão sobre os preços. A valorização da commodity gera preocupação nos mercados financeiros, pois o encarecimento dos combustíveis pode elevar a inflação e impactar as taxas de juros globais.