Dólar registra a maior valorização semanal desde a crise financeira de 2008
O dólar fechou outubro com alta de 5,27%, atingindo R$ 5,446 na última sexta-feira. No mesmo período, o Ibovespa recuou 9,88%, registrando queda semanal de 18,12% e a retirada de quase R$ 7,6 bilhões em capital estrangeiro

O dólar encerrou outubro com alta de 5,27%, consolidando uma valorização de 0,81% no acumulado do ano. Na última sexta-feira (30), a moeda comercial subiu 1,09%, fechando a R$ 5,446, o maior valor de fechamento registrado em 2026. Durante a sessão, a cotação atingiu a máxima de R$ 5,463 por volta das 16h.
O movimento semanal foi ainda mais expressivo, com a moeda estadunidense acumulando alta de 9,15%. Este resultado representa a maior valorização semanal do ativo desde a crise financeira de outubro de 2008.
Pressão sobre o Ibovespa
O Ibovespa fechou a sexta-feira com recuo de 0,75%, fixando-se em 167.921,80 pontos. O resultado marca o quinto dia consecutivo de perdas do índice. No fechamento do mês de outubro, a bolsa brasileira registrou queda de 9,88%, o pior desempenho mensal desde junho de 2022, quando o recuo foi de 11,5%.
A desvalorização semanal do indicador foi de 18,12%, a maior queda desde março de 2020, período inicial da pandemia de covid-19. A volatilidade foi acentuada na segunda-feira (26), primeiro pregão após o resultado das eleições presidenciais, quando a queda do índice disparou o circuit breaker.
A instabilidade nos ativos brasileiros foi intensificada pela saída de capital estrangeiro. Nos três primeiros dias da semana, a B3 registrou a retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões no mercado secundário de ações.
Fatores Internos e Externos
No cenário doméstico, a oscilação dos ativos refletiu a reavaliação de posições dos investidores após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mercado reagiu às incertezas sobre a política fiscal brasileira, aguardando a definição da equipe econômica e a apresentação de medidas para as contas públicas.
No câmbio, a volatilidade do início do pregão foi influenciada pela formação da Ptax de fim de mês, referência do Banco Central para contratos futuros. Além disso, houve busca por proteção cambial devido ao feriado de Finados na segunda-feira (2).
No âmbito internacional, o cenário foi marcado por:
- Queda em Nova York: O índice S&P 500 recuou 1,82%, impactado por resultados de empresas de tecnologia e investimentos em inteligência artificial.
- Fortalecimento do Dólar: A moeda americana subiu frente a divisas de países emergentes, com o índice do dólar registrando 101,890 pontos (alta de 0,01%) às 17h31.
- Cautela Global: Preocupações com a inflação e a trajetória dos juros globais pressionaram as bolsas de diversos países.