Dólar sobe para R$ 5,48 e Ibovespa registra sexta queda consecutiva nesta terça-feira
O dólar comercial subiu 0,74%, fechando a R$ 5,486 nesta terça-feira (3), enquanto o Ibovespa caiu 1,42%, encerrando aos 165.528,92 pontos. O boletim Focus revisou a projeção de inflação para 2027 para 4,76% e a estimativa da Selic para o fim do próximo ano para 12,50%

O dólar comercial encerrou a sessão desta terça-feira (3) com valorização de 0,74%, cotado a R$ 5,486. Durante o pregão, a moeda norte-americana atingiu a máxima de R$ 5,509 por volta das 13h50, refletindo a cautela dos investidores com a política econômica nacional. O movimento ocorre no primeiro dia útil de novembro, após o feriado de Finados, em um contexto de pressão sobre o real desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 25 de outubro.
No cenário externo, o índice DXY, que monitora o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, registrou alta de 0,13%, fechando aos 101,850 pontos.
Desempenho do Ibovespa
O Ibovespa recuou 1,42%, fechando aos 165.528,92 pontos. O índice registrou sua sexta queda consecutiva desde o resultado eleitoral, atingindo o menor patamar desde janeiro. Durante a sessão, a bolsa chegou a tocar a mínima de 164.446,53 pontos às 11h23. Para efeito de comparação, antes da definição das urnas, o indicador operava acima de 205 mil pontos.
A pressão sobre o índice foi intensificada pelas ações da Vale e da Petrobras, influenciadas por ajustes nos preços internacionais de commodities e do petróleo. Enquanto o mercado de tecnologia nos Estados Unidos mostrava sinais de recuperação, os ativos brasileiros seguiram pressionados por incertezas domésticas.
Fatores de pressão e política fiscal
A volatilidade do mercado foi impulsionada por dúvidas sobre a condução das contas públicas e a agenda econômica do governo. Entre os pontos de atenção, destacaram-se as propostas do economista André Lara Resende sobre o regime monetário, embora o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenha descartado a discussão dessas ideias no governo, classificando-as como deficientes e reiterando o compromisso com um ajuste fiscal gradual.
Outros elementos que impactaram as negociações incluíram:
- As eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos;
- A valorização global da moeda americana;
- A expectativa pela decisão do Copom.
Expectativas para a Selic e Inflação
O mercado aguarda a definição da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, em reunião do Comitê de Política Monetária prevista para quarta-feira. A possibilidade de manutenção do juro básico é avaliada diante da desvalorização do real e da deterioração das projeções inflacionárias.
De acordo com o boletim Focus divulgado nesta terça-feira, a projeção de inflação para 2027 foi revisada para 4,76%, superando o teto da meta de 4,5% (anteriormente estimada em 4,34%). Na mesma linha, a estimativa para a Selic ao final do próximo ano subiu de 11,75% para 12,50%.