Economia

Emissões de títulos corporativos nos Estados Unidos crescem 30% impulsionadas por investimentos em inteligência artificial

10 de Outubro de 2026 às 18:00 3 min de leitura

Empresas dos Estados Unidos emitiram US$ 1,69 trilhão em títulos corporativos este ano, com alta de 30% e yields médios de 5,97%. O crescimento é impulsionado por hyperscalers de tecnologia que financiam infraestrutura de inteligência artificial. Outros setores reduziram emissões devido ao custo do crédito

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Emissões de títulos corporativos nos Estados Unidos crescem 30% impulsionadas por investimentos em inteligência artificial

As corporações nos Estados Unidos emitiram US$ 1,69 trilhão em títulos corporativos este ano, registrando um crescimento de aproximadamente 30% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O movimento ocorre simultaneamente à alta dos yields médios, que subiram cerca de 1,2 ponto percentual, atingindo 5,97% até o fechamento de quinta-feira (8).

Essa dinâmica rompe com a tendência histórica observada na última década, na qual a emissão de títulos de grau de investimento diminuía conforme os custos de captação subiam. Atualmente, a oferta de novos papéis e as taxas de retorno estão ascendendo juntas, impulsionadas principalmente pelas hyperscalers do setor de tecnologia.

Investimentos em Inteligência Artificial

As grandes empresas de tecnologia estão aceitando pagar yields mais elevados para financiar a expansão de infraestrutura voltada à inteligência artificial, com foco na aquisição de chips de IA e construção de data centers. A projeção é que os investimentos em capital (capex) desse grupo alcancem US$ 1 trilhão no próximo ano.

A disposição por esse endividamento é sustentada pela expectativa de lucros expressivos. A OpenAI, por exemplo, projeta que sua receita anualizada chegue a US$ 70 bilhões ou mais até o encerramento deste ano.

O apetite por recursos tem se mostrado insensível ao preço. Estimativas indicam que mesmo elevações entre 0,25 e 0,75 ponto percentual nos spreads de crédito não reduziriam a busca por capital, podendo apenas encurtar os prazos dos títulos emitidos.

Grandes captações e riscos de mercado

O mercado monitora movimentações bilionárias que podem pressionar a capacidade de absorção de novos papéis:

  • SpaceX: negocia a captação de US$ 40 bilhões para a compra de chips da Nvidia Corp, operação prevista para terminar no próximo ano.
  • Broadcom: planeja financiar a aquisição de chips de IA personalizados para a OpenAI, além de estruturar um financiamento de US$ 60 bilhões em chips para a Anthropic e outras companhias.

Essas perspectivas já elevaram os prêmios de risco e os derivativos de crédito de diversas empresas de tecnologia. Há preocupações adicionais sobre a pressão nos yields globais devido à proximidade de eleições europeias.

Contraste com o mercado tradicional

Enquanto o setor de tecnologia acelera, a maioria das demais companhias reduziu o ritmo de emissões devido ao custo do crédito. Nos Estados Unidos, as emissões corporativas da última semana somaram apenas US$ 11,4 bilhões, valor significativamente inferior à previsão de US$ 25 bilhões a US$ 30 bilhões.

Na Europa, as vendas de títulos totalizaram € 16,2 bilhões (US$ 18,1 bilhões) no mesmo período, ficando abaixo das estimativas mais pessimistas.

A alta dos yields é impulsionada por um conjunto de fatores, que inclui o endividamento governamental, a pressão inflacionária e as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. Atualmente, os yields médios globais para empresas de grau de investimento orbitam 5,5%, aproximando-se do pico registrado após a crise financeira.

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