Empresas estatais federais registram o maior superávit para o mês de agosto desde 2001
As estatais federais registraram superávit de R$ 1,76 bilhão em agosto, o maior valor para o mês desde 2001. O resultado é o primeiro saldo positivo do ano, embora o acumulado de janeiro a agosto apresente déficit de R$ 6,51 bilhões
As empresas estatais federais fecharam agosto com um superávit de R$ 1,76 bilhão, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (30). O resultado representa o primeiro saldo positivo do ano, superando a marca anterior de R$ 1,16 bilhão registrada em dezembro do ano passado.
O valor alcançado em agosto é o maior para este mês desde que o Banco Central iniciou a série histórica, em dezembro de 2001, ultrapassando o recorde anterior de R$ 1,39 bilhão, obtido em 2023.
Panorama fiscal e metodologia
Apesar do desempenho pontual em agosto, o cenário acumulado nos oito primeiros meses do ano permanece negativo, com um déficit de R$ 6,51 bilhões. Este montante aproxima-se do maior rombo registrado em um ano completo, que foi de R$ 6,73 bilhões em 2024.
O cálculo do Banco Central baseia-se na variação da dívida, padrão utilizado em análises fiscais internacionais, diferindo da metodologia "acima da linha" (receitas menos despesas, excluindo juros da dívida) adotada pelo governo federal. A conta inclui instituições como Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Hemobrás, Emgepron e Emgea, mas exclui bancos públicos e as companhias Petrobras e Eletrobras, retiradas da métrica em 2009.
Projeções e riscos financeiros
No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso em abril, o governo federal prevê que as estatais, em déficit desde 2023, permaneçam no vermelho até 2030. Em paralelo, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado alertou, em julho, sobre a deterioração perceptível da saúde financeira de parte dessas empresas, o que amplia a exposição de risco para o Tesouro Nacional.
Crise nos Correios
O resultado negativo do ano é impulsionado majoritariamente pela crise fiscal dos Correios. A estatal registrou um déficit de R$ 8,5 bilhões em 2025 e, apenas no primeiro semestre deste ano, o rombo somou R$ 5,6 bilhões. O governo admite que a situação econômico-financeira da empresa pode continuar a se agravar, apesar do plano de reestruturação.
Para mitigar a crise, a empresa adotou as seguintes medidas:
- Captação de recursos: Contratação de empréstimo de R$ 12 bilhões com consórcio bancário em dezembro de 2025, com garantia da União.
- Novos créditos: Autorização do Conselho Monetário Nacional (CMN) em fevereiro para a captação de mais R$ 8 bilhões em empréstimos com garantias federais.
- Diversificação de receita: Autorização governamental, em maio, para a venda de seguros, títulos de capitalização e atuação no mercado de telefonia via convênios com instituições financeiras.