Economia

Empresas estatais federais registram o maior superávit para o mês de agosto desde 2001

30 de Setembro de 2026 às 09:56 3 min de leitura

As estatais federais registraram superávit de R$ 1,76 bilhão em agosto, o maior valor para o mês desde 2001. O resultado é o primeiro saldo positivo do ano, embora o acumulado de janeiro a agosto apresente déficit de R$ 6,51 bilhões

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As empresas estatais federais fecharam agosto com um superávit de R$ 1,76 bilhão, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (30). O resultado representa o primeiro saldo positivo do ano, superando a marca anterior de R$ 1,16 bilhão registrada em dezembro do ano passado.

O valor alcançado em agosto é o maior para este mês desde que o Banco Central iniciou a série histórica, em dezembro de 2001, ultrapassando o recorde anterior de R$ 1,39 bilhão, obtido em 2023.

Panorama fiscal e metodologia

Apesar do desempenho pontual em agosto, o cenário acumulado nos oito primeiros meses do ano permanece negativo, com um déficit de R$ 6,51 bilhões. Este montante aproxima-se do maior rombo registrado em um ano completo, que foi de R$ 6,73 bilhões em 2024.

O cálculo do Banco Central baseia-se na variação da dívida, padrão utilizado em análises fiscais internacionais, diferindo da metodologia "acima da linha" (receitas menos despesas, excluindo juros da dívida) adotada pelo governo federal. A conta inclui instituições como Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Hemobrás, Emgepron e Emgea, mas exclui bancos públicos e as companhias Petrobras e Eletrobras, retiradas da métrica em 2009.

Projeções e riscos financeiros

No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso em abril, o governo federal prevê que as estatais, em déficit desde 2023, permaneçam no vermelho até 2030. Em paralelo, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado alertou, em julho, sobre a deterioração perceptível da saúde financeira de parte dessas empresas, o que amplia a exposição de risco para o Tesouro Nacional.

Crise nos Correios

O resultado negativo do ano é impulsionado majoritariamente pela crise fiscal dos Correios. A estatal registrou um déficit de R$ 8,5 bilhões em 2025 e, apenas no primeiro semestre deste ano, o rombo somou R$ 5,6 bilhões. O governo admite que a situação econômico-financeira da empresa pode continuar a se agravar, apesar do plano de reestruturação.

Para mitigar a crise, a empresa adotou as seguintes medidas:

  • Captação de recursos: Contratação de empréstimo de R$ 12 bilhões com consórcio bancário em dezembro de 2025, com garantia da União.
  • Novos créditos: Autorização do Conselho Monetário Nacional (CMN) em fevereiro para a captação de mais R$ 8 bilhões em empréstimos com garantias federais.
  • Diversificação de receita: Autorização governamental, em maio, para a venda de seguros, títulos de capitalização e atuação no mercado de telefonia via convênios com instituições financeiras.

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