Economia

Endividamento das famílias brasileiras atinge marca recorde de 50,1% da renda anual em agosto

29 de Outubro de 2026 às 16:05 3 min de leitura

A inadimplência média de crédito ficou em 5% em setembro, com pessoas físicas em 6% e empresas em 3,3%, segundo o Banco Central. O endividamento das famílias atingiu recorde de 50,1% da renda anual em agosto de 2026. O governo federal planeja renegociar R$ 150 bilhões em débitos via programa Desenrola 2.0

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A taxa de inadimplência média total nas operações de crédito manteve-se em 5% em setembro, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (29). O índice permanece no patamar mais elevado desde que a série histórica foi revisada, em março de 2011. O indicador abrange operações de pessoas físicas e jurídicas com atrasos superiores a 90 dias.

No detalhamento por segmento, a inadimplência de pessoas físicas estabilizou-se em 6%, o maior nível já registrado na série. Em contrapartida, o setor de empresas apresentou uma leve redução, recuando de 3,4% para 3,3% no mesmo período.

Endividamento e risco financeiro

Paralelamente ao cenário de inadimplência, o endividamento das famílias brasileiras alcançou a marca recorde de 50,1% da renda anual em agosto de 2026. Este é o primeiro momento em que o indicador ultrapassa a barreira dos 50%, partindo de um patamar de 34,9% no início da série, em março de 2011.

O Banco Central apontou, no início de setembro, que a manutenção de taxas de juros elevadas no país continua a pressionar a saúde financeira de consumidores e companhias. Em ata de reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) ocorrida no fim de agosto, a autoridade monetária destacou a elaboração de medidas para reduzir riscos causados pela predominância de modalidades de crédito mais onerosas nas dívidas familiares.

Medidas governamentais e regulatórias

Para enfrentar o cenário, o governo federal implementou em maio o "Novo Desenrola Brasil" (Desenrola 2.0). Recentemente, foi anunciada uma nova etapa do programa com a meta de renegociar R$ 150 bilhões em débitos, focando em dívidas com atrasos entre 2 e 4,5 anos.

A estratégia prevê que a União adquira carteiras de crédito de bancos com um deságio de 90%, estimando-se um desembolso de R$ 15 bilhões para a operação. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, detalhou que a iniciativa contemplará dívidas de até R$ 10 mil em crédito pessoal (sem consignação) e cartão de crédito (modalidades rotativa e parcelada).

No âmbito regulatório, o Banco Central estabeleceu novas regras para ofertas de empréstimos via PIX. A partir de agora, as propostas dependerão de consentimento prévio e específico do usuário, com um intervalo mínimo de 24 horas entre a autorização e a primeira oferta. Além disso, as instituições financeiras deverão disponibilizar um sistema claro para o bloqueio de propagandas e ofertas ativas, norma que entra em vigor em 31 de março de 2027, visando ampliar o controle do cliente sobre a publicidade de crédito.

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