Entidades industriais pedem novas negociações para evitar tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras
CNI, Amcham Brasil e U.S. Chamber of Commerce pediram novas rodadas de negociação para evitar a aplicação de tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. O governo americano deve definir a medida até 15 de julho. Ministérios do Brasil mantêm diálogos técnicos com a gestão de Donald Trump
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Amcham Brasil e a U.S. Chamber of Commerce solicitaram, em nota conjunta publicada nesta quinta-feira (9), a abertura de novas rodadas de negociação para impedir a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. A medida visa neutralizar a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma taxa adicional de 25% às exportações do Brasil, sob a alegação de que o país adota práticas que restringem ou oneram o comércio bilateral. O governo americano tem até o dia 15 de julho para definir a aplicação desse imposto.
Para mitigar o risco, as entidades propõem um cronograma de ações dividido em duas etapas. No curto prazo, a prioridade seria a expansão do acesso a mercados em infraestrutura de inteligência artificial, data centers e segurança energética, além de cooperação em mapeamento geológico de minerais críticos. O plano prevê ainda o aprofundamento da cooperação regulatória nos segmentos de dispositivos médicos, saúde animal, farmacêutico e automotivo, somado ao combate à pirataria e à redução do volume de pedidos de patentes pendentes no Brasil, com foco nas áreas biofarmacêutica e de saúde. Em uma fase posterior, a pauta incluiria transportes, descarbonização industrial e economia digital.
No campo diplomático, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e o Ministério das Relações Exteriores conduzem diálogos técnicos com a gestão de Donald Trump. O ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic, realizou uma reunião virtual com Jamieson Greer, representante do escritório comercial da Casa Branca, reforçando a diretriz do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de manter a permanência nas negociações.
Simultaneamente, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por formular a política comercial americana e recomendar tarifas após investigações de práticas prejudiciais, realizou audiências públicas para ouvir interessados. Durante as sessões, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, utilizou seu espaço de fala para criticar o governo federal e o Supremo Tribunal Federal (STF).