Entidades sem fins lucrativos registram a menor disparidade salarial entre homens e mulheres no Brasil
Dados do IBGE indicam que entidades sem fins lucrativos possuem a menor disparidade salarial entre gêneros, com mulheres recebendo 95,3% da remuneração masculina. No setor empresarial, a média feminina é de R$ 2.996,79, enquanto na administração pública é de R$ 4.967,51. No panorama geral, a remuneração dos homens é 16,6% superior à das mulheres

Entidades sem fins lucrativos apresentam a menor disparidade salarial entre gêneros, com as mulheres recebendo 95,3% da remuneração dos homens. Nesses estabelecimentos, a média salarial feminina é de R$ 3.589,82, enquanto a masculina atinge R$ 3.768,81. O cenário contrasta com o setor empresarial, onde a diferença é mais acentuada: as mulheres ganham R$ 2.996,79, o que equivale a 78,1% do salário dos homens, cuja média é de R$ 3.838,67. Na administração pública, que abrange as três esferas de governo e os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, a remuneração feminina é de R$ 4.967,51, representando 82% dos R$ 6.058,19 recebidos pelos homens.
No panorama geral, a média salarial masculina é de R$ 4,2 mil, contra R$ 3,9 mil das mulheres, resultando em uma remuneração 16,6% superior para os homens. Esses dados integram o Cadastro Central de Empresas (Cempre), divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A menor diferença salarial em entidades sem fins lucrativos — categoria que engloba fundações privadas, organizações sociais, sindicatos, condomínios e organizações religiosas — pode estar relacionada à forte atuação desses grupos em áreas de assistência social, saúde e serviços sociais. A maior presença feminina nesses setores, além de uma possível preocupação institucional com a igualdade nos quadros, contribui para a redução da disparidade. Já na administração pública, a concentração de mulheres em funções de educação e saúde, que possuem remunerações menores, influencia a diferença salarial.
Apesar da Lei 14.611, sancionada em julho de 2023, que exige salários iguais para homens e mulheres na mesma função, a média remuneratória ainda é impactada por interrupções ligadas à maternidade e pela menor ocupação de cargos de chefia por mulheres.
Em termos de estrutura empresarial, o Brasil registrou 10,6 milhões de CNPJs ativos em 2024, gerando 68 milhões de postos de trabalho, divididos entre 54,2 milhões de assalariados e 13,8 milhões de sócios e proprietários. A distribuição por natureza jurídica revela 9,5 milhões de empresas, 1,1 milhão de entidades sem fins lucrativos e 59,4 mil instituições da administração pública. Entre 2022 e 2024, o número de organizações cresceu 12,5%, saltando de 9,4 milhões, enquanto o volume de pessoas ocupadas teve alta de 8,4%.