Espanha tem alta produção científica mas enfrenta dificuldades para transformar conhecimento em atividade empresarial
A Espanha ocupa a 28ª posição no Global Innovation Index 2024, com investimento de 1,50% do PIB em P&D. O país possui 1.608 empresas de Deep Tech, mas enfrenta dificuldades para converter a produção científica em atividade empresarial
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A Espanha ocupa a nona posição global em produção científica e a terceira na Europa, mas enfrenta dificuldades para converter esse volume de conhecimento em atividade empresarial de larga escala. De acordo com o Global Innovation Index 2024, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o país aparece em 28º lugar entre 133 economias, com a 29ª posição em capacidade de inovação (inputs) e a 23ª em resultados (outputs).
O cenário é complementado por dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que registram um investimento de 1,50% do PIB em P&D em 2024. Atualmente, o país conta com 1.608 empresas de Deep Tech, com forte atuação nos setores de energia, saúde, biotecnologia e novos materiais, conforme relatório do CDTI-ONE.
O gargalo do capital paciente e o "vale da morte"
Diferente da inovação digital, as tecnologias de Deep Tech baseiam-se em ciência fundamental e engenharia avançada, exigindo infraestruturas especializadas e longos ciclos de desenvolvimento que podem durar décadas. O principal obstáculo europeu não reside na falta de talento, mas na escassez de capital paciente — investimentos dispostos a aguardar o tempo necessário entre a descoberta laboratorial e a viabilidade comercial.
Essa lacuna cria o chamado "vale da morte", estágio em que a prova de conceito científica é bem-sucedida, mas a empresa ainda não consegue superar a regulamentação, escalar a fabricação ou conquistar clientes. Embora a Europa possua mecanismos de apoio, como o European Innovation Council e o Horizonte Europa, a fragmentação do capital dificulta a expansão das companhias, resultando em casos onde a tecnologia é desenvolvida no continente, mas o crescimento econômico ocorre em outros mercados.
Transferência tecnológica e ecossistema espanhol
Na Espanha, a dependência da transferência tecnológica é evidente, já que mais de dois terços das spin-offs originam-se em universidades. Apesar de possuir uma rede sofisticada de aceleradoras, fundos especializados e centros de pesquisa, o sistema ainda opera de forma fragmentada.
Para que a produção científica se transforme em indústria tecnológica, é necessária a integração de diversos elos:
- Incentivos para pesquisadores transferirem conhecimento;
- Negociações eficientes de propriedade intelectual;
- Estruturas de capital que garantam a sobrevivência de spin-offs;
- Disponibilidade de fundos para rodadas subsequentes de investimento;
- Empresas dispostas a atuar como clientes iniciais.
O desafio central para a Europa e a Espanha é consolidar a cadeia que une a ciência ao mercado, evitando a perda de patentes e a fuga de pesquisadores para competidores globais. A meta é transformar o sistema de inovação em um circuito integrado, garantindo que a vantagem competitiva da pesquisa não seja desperdiçada no momento da industrialização.