Estados Unidos analisam aplicação de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras por causa do PIX
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos analisa a aplicação de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras devido a políticas consideradas discriminatórias, especialmente a operação do PIX. O governo americano alega desvantagem competitiva para operadoras de cartões, enquanto o Brasil defende a inclusão bancária e a ausência de discriminação
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) analisa a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A medida é uma resposta a políticas brasileiras consideradas discriminatórias por Washington, com destaque para a operação do PIX.
O impacto do PIX no mercado de pagamentos
Lançado em 2020 e desenvolvido pelo Banco Central, o sistema de pagamentos instantâneos detém 54% de todas as transações realizadas no Brasil. A ferramenta é utilizada por aproximadamente 80% da população, apresentando um índice de aprovação superior a 90%.
A ascensão do sistema alterou a dinâmica do setor financeiro nacional. A participação de empresas de cartões de crédito nas transações do país, em grande parte americanas, recuou de 23% para 15% desde a implementação do PIX.
O conflito comercial com os Estados Unidos
O governo de Donald Trump argumenta que existe um conflito de interesses no Brasil, já que o Banco Central atua simultaneamente como operador e regulador do sistema. Washington aponta que a obrigatoriedade de as instituições financeiras destacarem o PIX nas telas iniciais de seus aplicativos, somada à proibição de cobrança de tarifas dos usuários, coloca operadoras de cartões de crédito em desvantagem competitiva.
Para o USTR, tais condições forçam provedores americanos a promoverem um concorrente estatal. Além disso, a gestão Trump vê sistemas de pagamentos nacionais — modelo também adotado por Índia, Colômbia, Nigéria e Quênia — como potenciais ameaças à hegemonia global do dólar.
A resposta do governo brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores, por meio de carta enviada ao USTR, defende que o PIX promoveu a inclusão bancária de milhões de cidadãos. O governo brasileiro refuta as acusações de discriminação, sustentando que a expansão dos pagamentos digitais beneficiou inclusive companhias dos EUA, como Visa e Google. O Banco Central reforça que o volume de usuários de cartões no país manteve trajetória de crescimento mesmo após a chegada do sistema.
Contexto político e diplomático
A disputa ocorre em um cenário de instabilidade nas relações bilaterais. No ano anterior, Trump aplicou tarifas ao Brasil, embora a maioria tenha sido revogada posteriormente. O impasse surge paralelamente ao período eleitoral brasileiro, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputará a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro. Este último, apesar das críticas de Washington, evitou se alinhar à posição americana sobre o sistema de pagamentos, que foi implantado durante a gestão de Jair Bolsonaro.