Economia

Estados Unidos avaliam aplicação de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras devido ao sistema PIX

14 de Julho de 2026 às 15:09

Os Estados Unidos estudam aplicar tarifas de 25% sobre exportações brasileiras devido a críticas ao sistema PIX. Washington alega desvantagem competitiva para empresas americanas, enquanto o governo brasileiro defende a ferramenta pela promoção da inclusão financeira

Os Estados Unidos avaliam a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras, medida que deve ser anunciada nos próximos dias pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A decisão é fundamentada em críticas de Washington a políticas brasileiras consideradas discriminatórias, com destaque para o sistema de pagamentos PIX.

O impacto do PIX no mercado financeiro

Lançado em 2020 e desenvolvido pelo Banco Central, o PIX detém atualmente 54% de todas as transações realizadas no Brasil e é utilizado por cerca de 80% da população. A popularidade do sistema é refletida em pesquisas, que apontam aprovação superior a 90% entre os brasileiros.

A ascensão da ferramenta alterou a dinâmica do setor de pagamentos no país. A participação de empresas de cartão de crédito nas transações nacionais, em grande parte de capital americano, recuou de 23% para 15% desde a implementação do sistema.

O conflito comercial e regulatório

O governo de Donald Trump argumenta que existe um conflito de interesses no Brasil, já que o Banco Central atua simultaneamente como operador e regulador do PIX. Para Washington, essa estrutura coloca companhias americanas em desvantagem competitiva.

O USTR aponta como "injustas" as normas que obrigam os bancos a:
* Destacar o PIX na página inicial de seus aplicativos;
* Isentar os usuários de tarifas pelo serviço.

Para os Estados Unidos, tais exigências forçam provedores americanos a promoverem um concorrente estatal brasileiro.

Argumentos do governo brasileiro

Em resposta, o governo brasileiro nega as acusações e sustenta que o PIX expandiu o mercado de pagamentos digitais, beneficiando inclusive empresas como Visa e Google. O Banco Central reforça que o número de usuários de cartões no país manteve crescimento mesmo após a criação do sistema.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou em comunicação oficial ao USTR que a ferramenta promoveu a inclusão financeira de milhões de cidadãos anteriormente excluídos do sistema bancário tradicional, facilitando a operação de microempreendedores e trabalhadores informais que antes dependiam de operadoras de cartão e suas respectivas taxas.

Contexto geopolítico e global

Brasília avalia que a resistência de Washington também se deve ao fato de o PIX e sistemas similares — já implementados em países como Índia, Colômbia, Nigéria e Quênia — representarem uma ameaça à hegemonia global do dólar.

A disputa ocorre em um cenário de tensão política, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputando a reeleição em outubro contra o senador Flávio Bolsonaro. Embora Trump tenha imposto e posteriormente revogado tarifas ao Brasil no ano passado, o senador Flávio Bolsonaro tem evitado alinhar-se à posição americana sobre o PIX, visto que o sistema foi implantado durante a gestão de Jair Bolsonaro.

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