Estados Unidos e China planejam reduzir tarifas de até 30 bilhões de dólares em produtos não sensíveis
Estados Unidos e China planejam criar o Conselho de Comércio para reduzir tarifas de bens não sensíveis em cerca de US$ 30 bilhões por país. A proposta fundamenta a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim
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Estados Unidos e China buscam implementar um mecanismo de comércio administrado para bens não sensíveis, com a previsão de que cada país identifique cerca de US$ 30 bilhões em produtos para redução de tarifas. A proposta, denominada "Conselho de Comércio", serve como base para a cúpula desta semana entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim.
O acordo foca em metas numéricas em setores não estratégicos, mantendo-se a aplicação de tarifas amplas e controles de exportação sobre tecnologias ligadas à segurança nacional. Diferente de negociações anteriores, Washington desistiu de exigir que Pequim altere seu modelo econômico estatal e voltado para exportações para se adequar ao sistema de mercado e consumo norte-americano. Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, descreveu a iniciativa como um "adaptador" para conectar sistemas econômicos incompatíveis.
A viabilização do plano envolveu uma reunião de três horas na última quarta-feira, em Incheon, na Coreia do Sul, entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. Embora não tenha havido declaração oficial após o encontro, a expectativa é de que a redução de barreiras ocorra em cotas de US$ 30 bilhões por lado. Wendy Cutler, do Asia Society Policy Center, indica que a convergência entre as nações pode abranger uma cesta de mercadorias entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões.
O cenário ocorre em um momento de retração nas trocas comerciais. O comércio bidirecional entre as duas potências caiu 29%, recuando de US$ 582 bilhões em 2024 para US$ 415 bilhões. Paralelamente, o déficit comercial dos Estados Unidos atingiu US$ 202 bilhões em 2025, a menor marca em vinte anos, segundo o Departamento do Censo dos EUA.
Atualmente, ambos os países aplicam tarifas gerais temporárias de 10% sobre as importações mútuas. No caso chinês, há taxas retaliatórias adicionais que incidem sobre o petróleo bruto (10%), gás natural liquefeito (15%), carvão (15%) e carne bovina (55%). Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm tarifas de 7,5% sobre itens de consumo impostos em 2019, como televisores, dispositivos de memória flash, alto-falantes, fones de ouvido, roupas de cama, impressoras e calçados, além da taxa global de 10% que vence em julho.
O governo norte-americano visa ampliar a venda de produtos agrícolas e de energia para a China, tornando as tarifas de Pequim sobre essas commodities um ponto central da pauta. Até o momento, o Tesouro e o escritório do Representante Comercial dos EUA não comentaram a proposta, enquanto a China limitou-se a informar, em março, que exploraria mecanismos para expandir a cooperação econômica.