Estatais federais registram o pior déficit para o período de janeiro a setembro desde 2002
Estatais federais registraram déficit de R$ 8,5 bilhões entre janeiro e setembro, o pior resultado para o período desde 2002, segundo o Banco Central. O prejuízo dos Correios é o fator principal do índice, que supera o recorde negativo anterior de 2024
As empresas estatais federais acumularam um déficit de R$ 8,5 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (31). O montante representa o pior desempenho para esse intervalo de tempo desde que a série histórica foi iniciada, em 2002.
O resultado atual supera inclusive o recorde negativo de um ano fechado, registrado em 2024, quando o rombo foi de R$ 6,73 bilhões. Anteriormente, o pior índice para o período de janeiro a setembro havia ocorrido em 2025, com um déficit de R$ 6,3 bilhões (valor sem correção inflacionária).
Composição e Metodologia
O cálculo do Banco Central baseia-se na variação da dívida, padrão adotado em análises fiscais internacionais, diferindo da metodologia "acima da linha" (receitas menos despesas, excluindo juros da dívida) utilizada pelo governo.
A amostra inclui companhias como Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Emgepron, Hemobrás e Emgea. Estão excluídas da série as empresas do setor financeiro e a Eletrobras e a Petrobras, que deixaram de integrar o cálculo em 2009.
Impacto dos Correios e Riscos Fiscais
A crise financeira dos Correios é o principal fator de agravamento do resultado negativo. A estatal soma 15 trimestres consecutivos de prejuízo, tendo fechado o primeiro semestre deste ano com uma perda de R$ 5,6 bilhões.
Para tentar reverter o cenário, o Ministério da Gestão implementa um plano de reestruturação e reequilíbrio financeiro. Como parte dessa estratégia, o governo autorizou, em maio, que a empresa atue no mercado de telefonia e comercialize títulos de capitalização e seguros por meio de convênios com instituições financeiras.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado Federal, aponta que a saúde financeira de boa parte das estatais federais apresenta uma deterioração perceptível, o que amplia a exposição de risco para o Tesouro Nacional.
Projeções Orçamentárias
No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso Nacional em abril, o governo federal reconhece que as empresas estatais, que operam no vermelho desde 2023, devem manter esse comportamento financeiro até 2030.