Economia

Exportações brasileiras de US$ 14,9 bilhões para os Estados Unidos correm risco devido a novas tarifas

06 de Julho de 2026 às 12:06

Exportações brasileiras de US$ 14,9 bilhões podem ser taxadas pelos Estados Unidos após recomendações do Escritório do Representante de Comércio. A CNI aponta que a medida afetaria 4,1 mil produtos, enquanto o governo brasileiro negocia exceções e refuta acusações de práticas desleais. O prazo para um acordo termina em 15 de julho

Exportações brasileiras para os Estados Unidos na ordem de US$ 14,9 bilhões correm risco caso a administração de Donald Trump implemente as tarifas sugeridas pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR). Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta segunda-feira (6), o impacto abrangeria 4,1 mil produtos, incluindo álcool etílico, açúcar bruto, ferro-gusa não ligado, hidróxido de alumínio e molduras de madeira.

A definição sobre a aplicação dessas taxas ocorre em meio a audiências públicas iniciadas nesta segunda-feira em Washington. O governo brasileiro optou por não se inscrever para discursar nos debates, mas manterá representantes da embaixada local como observadores para acompanhar as argumentações.

O impasse central reside em acusações do USTR de que o Brasil utiliza práticas econômicas desleais contra empresas americanas, citando a propriedade intelectual, o desmatamento, o etanol e o PIX. O governo brasileiro refutou formalmente essas teses em documento enviado na última semana.

Para tentar reverter o cenário, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, por meio do ministro Marcio Elias Rosa, mantém agenda de negociações com Jamieson Greer, representante do escritório comercial dos EUA. O Brasil já apresentou uma proposta de encaminhamento sobre os seis pontos questionados pelos americanos, porém ainda aguarda resposta formal.

Com o prazo final para um acordo fixado em 15 de julho, a gestão brasileira tenta acelerar o entendimento apresentando dados sobre a relação comercial e as ações de combate ao desmatamento. Internamente, no Palácio do Planalto e no Itamaraty, prevalece a percepção de que a recomendação do USTR possui motivação política e ignora a fundamentação técnica discutida no último ano. Essa análise baseia-se na similaridade quase total entre os documentos de início da investigação, de julho de 2025, e a recomendação tarifária de junho de 2026. Devido a esse contexto, a expectativa governamental é de que não ocorra a reversão total do tarifaço, mas sim a conquista de exceções ou a redução dos encargos.

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