Economia

Falta de reajuste real em benefícios sociais pode retrair economia de cidades do interior brasileiro

17 de Outubro de 2026 às 07:09 3 min de leitura

Estudo da FEA-USP indica que a falta de reajustes reais em benefícios sociais pode reduzir a renda de cidades fora de regiões metropolitanas entre 6,8% e 10,8%. A ausência de valorização entre 2022 e 2025 teria levado 2,7 milhões de pessoas à pobreza nessas localidades. O impacto seria maior em estados como Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí

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Falta de reajuste real em benefícios sociais pode retrair economia de cidades do interior brasileiro
© FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

A ausência de reajustes reais em benefícios sociais e previdenciários pode provocar uma retração severa na atividade econômica de municípios brasileiros situados fora de regiões metropolitanas. Um levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da FEA-USP, indica que aposentadorias, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Bolsa Família são pilares financeiros essenciais para essas localidades, representando quase metade do orçamento das famílias com menor renda.

O impacto das transferências públicas é significativamente maior em cidades do interior do que nos grandes centros urbanos. Dos 5.569 municípios do país, cerca de 4 mil não integram regiões metropolitanas e apresentam uma dependência desses recursos que chega a ser o dobro da observada nas capitais. No Ceará, a diferença é nítida: enquanto a renda agregada da capital e sua região metropolitana é composta por 22% de benefícios, nas cidades do interior esse índice sobe para 40%.

Projeções de retração econômica

Ao comparar o cenário de crescimento real do BPC e das aposentadorias entre 2022 e 2025 com o período de congelamento e ausência de ganhos reais ocorrido entre 2019 e 2022, o estudo projeta que a renda agregada do interior do Brasil sofreria uma queda entre 6,8% e 10,8% caso não houvesse a valorização dos benefícios.

Essa redução de renda desencadearia um efeito cascata na economia local, prejudicando inclusive famílias que não dependem de auxílios governamentais. As perdas seriam distribuídas de forma desigual entre as unidades federativas:

  • Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí: queda de renda total entre 17% e 18%.
  • Amazonas, Sergipe e Pernambuco: perdas em torno de 15%.
  • Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia: recuo entre 10% e 13%.
  • São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina: prejuízos de até 6,5%.

Impacto nos índices de pobreza

Para famílias com rendimento per capita de até 1,5 salário mínimo, os benefícios sociais podem representar 50% da renda total. Nesse contexto, qualquer reajuste inferior à inflação atua como um gatilho para a pobreza.

Simulações do Made/USP revelam que a falta de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 teria empurrado 2,7 milhões de pessoas para a pobreza em municípios fora de regiões metropolitanas, sendo que 2,4 milhões dessas pessoas cairiam na situação de extrema pobreza.

Em termos absolutos, o aumento da pobreza seria mais expressivo nos seguintes estados:

  1. Bahia: até 336 mil pessoas.
  2. São Paulo: até 263 mil pessoas.
  3. Minas Gerais: até 251 mil pessoas.
  4. Maranhão, Pará e Ceará: mais de 200 mil pessoas cada.
Com informações de Agência Brasil

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