FMI estima que inteligência artificial pode elevar a produtividade europeia em 1% em cinco anos
Documento do FMI indica que a inteligência artificial pode elevar a produtividade europeia em 1% em cinco anos. O relatório alerta para riscos de desigualdade, sobrecarga nas redes elétricas e dependência tecnológica de Estados Unidos e China

A inteligência artificial tem potencial para elevar a produtividade europeia em 1% no período de cinco anos, conforme aponta documento do Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, a implementação dessa tecnologia traz riscos estruturais, como a ampliação de desigualdades, a sobrecarga de redes elétricas e a dependência de soluções tecnológicas estrangeiras.
Impactos no mercado de trabalho e desigualdade
O FMI estima que 60% dos profissionais em economias avançadas da Europa ocupam cargos com alta exposição à IA. Enquanto parte desses trabalhadores poderá ter sua produtividade ampliada, outros enfrentam o risco de substituição, especialmente em funções com tarefas rotineiras onde a automação tende a deslocar a mão de obra em vez de complementá-la.
Essa disparidade deve se refletir também na escala macroeconômica. A distribuição de ganhos e custos da tecnologia tende a ser desigual entre regiões e países da União Europeia, com as economias mais desenvolvidas — e melhor preparadas para a adoção tecnológica — colhendo benefícios desproporcionais.
Infraestrutura energética e dependência tecnológica
A expansão da IA pressiona a infraestrutura elétrica do continente. Atualmente, os centros de dados consomem 3% da eletricidade da Europa, com demanda crescente que impacta severamente polos tecnológicos como Londres, Paris, Frankfurt, Dublin e Amsterdã. Para mitigar a pressão sobre as redes locais, o FMI recomenda que a UE invista em infraestrutura de rede transfronteiriça e intensifique a integração do mercado europeu de energia.
No campo estratégico, o documento alerta para a hegemonia de Estados Unidos e China no desenvolvimento de modelos de IA. Para evitar a dependência de tecnologia estrangeira, a Europa precisaria de aportes significativos de investimento em seu próprio setor de inteligência artificial.
Essas análises foram apresentadas em nota elaborada para a reunião dos ministros das Finanças da União Europeia, ocorrida em Dublin nos dias 18 e 19 de setembro, reforçando a necessidade de maior integração econômica para viabilizar a transição tecnológica.