Economia

FMI libera 346 milhões de dólares para a reconstrução de regiões atingidas por desastres na Venezuela

18 de Julho de 2026 às 12:04

O FMI liberou 346 milhões de dólares de recursos retidos da Venezuela para a reconstrução de áreas atingidas por terremotos. O desastre deixou 5.069 mortos e destruiu centenas de prédios em La Guaira

FMI libera 346 milhões de dólares para a reconstrução de regiões atingidas por desastres na Venezuela
RAUL ARBOLEDA / AFP

A Venezuela obteve a liberação de 346 milhões de dólares (aproximadamente R$ 1,77 bilhão) junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O montante, composto por recursos próprios do país que estavam retidos, foi disponibilizado na última sexta-feira (17) para financiar a reconstrução de regiões atingidas por desastres naturais.

A medida ocorre após o FMI restabelecer as relações com o governo venezuelano em abril, vínculo que permanecia congelado desde 2019, quando Nicolás Maduro foi capturado em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro.

Impactos do desastre e danos estruturais

Os recursos chegam três semanas após um duplo terremoto, com magnitudes de 7,2 e 7,5, ocorrido em 24 de junho. O balanço oficial registra 5.069 mortos e milhares de desabrigados. Atualmente, mais de 21 mil pessoas residem em acampamentos marcados por superlotação e escassez de suprimentos.

O cenário de destruição é concentrado em La Guaira, balneário a 40 quilômetros de Caracas. Na localidade, 190 prédios foram totalmente demolidos e outros 856 sofreram danos que os tornaram inabitáveis.

Crise no resgate de vítimas

Apesar da liberação financeira, a recuperação de corpos nos escombros enfrenta dificuldades. Em áreas como Caraballeda, no litoral de La Guaira, familiares e voluntários buscam vítimas sem o suporte de maquinário estatal. A falta de equipamentos levou parentes a alugarem retroescavadeiras por conta própria para remover estruturas de pedra.

A precariedade do serviço público gerou a cobrança de valores particulares para a localização de cadáveres; há relatos de pagamentos de 300 dólares (R$ 1.535) a terceiros para a execução do resgate.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que o governo trabalha na localização e identificação das vítimas, assegurando que ninguém será enviado para valas comuns. No entanto, familiares relatam a falta de interesse dos órgãos estatais na recuperação de corpos que não possuam parentes imediatos para reconhecimento imediato.

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