Economia

FMI reduz projeções de crescimento do PIB brasileiro para os anos de 2026 e 2027

14 de Outubro de 2026 às 09:47 3 min de leitura

O FMI reduziu a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027. A revisão é atribuída a juros altos, retirada de estímulos fiscais e instabilidades internacionais. O órgão estima que a inflação feche 2026 em 4,4% e 2027 em 4,1%

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FMI reduz projeções de crescimento do PIB brasileiro para os anos de 2026 e 2027
© REUTERS/YURI GRIPAS/DIREITOS RESERVADOS

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento do PIB brasileiro para os próximos anos. No relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgado na última segunda-feira (12), a estimativa de expansão da economia para 2026 foi fixada em 2,2%, reduzindo a previsão de 2,4% apresentada em julho. Para 2027, a projeção de avanço caiu de 2,2% para 1,9%.

Esses números superam as expectativas do mercado financeiro levantadas pelo Relatório Focus, do Banco Central, que prevê crescimentos de 1,85% em 2026 e 1,40% em 2027.

Fatores de desaceleração e política monetária

A redução nas perspectivas para a maior economia da América Latina é atribuída a condições monetárias restritivas, caracterizadas pelos juros altos, além da retirada de estímulos fiscais e instabilidades no cenário internacional.

Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano. O índice vem de uma trajetória de queda iniciada em março de 2026, quando atingiu 15% ao ano. A manutenção de juros elevados encarece o crédito, desestimulando investimentos produtivos e o consumo.

Inflação e metas governamentais

O FMI projeta que a inflação no Brasil feche 2026 em 4,4% e 2027 em 4,1%. Ambos os índices situam-se dentro do limite de tolerância da meta governamental, que é de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (teto de 4,5%).

Outras estimativas divergem desses números:

  • Ministério da Fazenda: prevê 4,9% para 2026 e 3,8% para 2027.
  • Relatório Focus: estima 5,22% para o ano corrente e 4,30% para o próximo.

Globalmente, o relatório alerta que o encarecimento de alimentos e energia pode gerar novas pressões inflacionárias em diversos países.

Commodities e produção

O Brasil é destacado como um dos países que ampliaram a produção de petróleo para compensar a instabilidade no Golfo Pérsico. O conflito na região, especificamente no Estreito de Ormuz — rota de 20% da produção global de derivados e petróleo —, causou forte oscilação nos preços internacionais.

No setor agrícola, houve alta nos preços de bebidas e cereais. O café registrou valorização de 8% entre março e agosto, reflexo de chuvas intensas em Minas Gerais que comprometeram a qualidade da safra e atrasaram a colheita.

Emprego e mercado de trabalho

As projeções para a taxa de desemprego indicam um índice de 6,2% ao final de 2026, subindo para 6,8% em 2027.

Esses números contrastam com os dados recentes da Pnad Contínua, do IBGE, que registrou 5,3% de desemprego no trimestre móvel encerrado em agosto, o menor patamar para esse período desde o início da série histórica, em 2012.

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