FMI reduz projeções de crescimento para a América Latina e o Caribe para os próximos anos
O FMI reduziu as projeções de crescimento para a América Latina e o Caribe, estimando expansão de 2,3% em 2024 e 2,5% em 2027. As revisões incluem quedas nas previsões para Brasil e Argentina, enquanto o México teve alta na estimativa para 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções de crescimento para a América Latina e o Caribe para este ano e para o próximo ciclo. No relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado nesta terça-feira (13) em Bangcoc, a entidade estimou que a região crescerá 2,3% em 2024. O índice é inferior aos 2,5% previstos para 2025 e aos 2,4% projetados em julho para 2026. Para 2027, a estimativa de expansão foi cortada de 2,7% para 2,5%.
Impactos energéticos e tecnológicos
A desaceleração é influenciada pelo cenário no Oriente Médio, onde o conflito tornou a energia um fator de inflação global, elevando o preço do petróleo Brent em aproximadamente 45% em comparação ao período anterior à guerra. Esse aumento nos custos de combustível impacta empresas e famílias, enquanto a perspectiva de inflação persistente mantém os custos de financiamento globais em patamares máximos de várias décadas.
O FMI destaca que a maioria dos países latino-americanos não está conseguindo absorver esse choque energético por meio do avanço da inteligência artificial, tecnologia que tem beneficiado outras economias. O desempenho regional agora depende da capacidade dos exportadores de commodities em compensar as perdas dos importadores de energia, além da confiança nas metas inflacionárias estabelecidas pelos bancos centrais.
Desempenho por país
As revisões variam conforme a economia nacional, com destaque para a queda nas projeções de Brasil e Argentina:
- Brasil: O crescimento esperado caiu para 2,2% este ano e para 1,9% em 2027 (antes previstos em 2,4% e 2,2%, respectivamente). A desaceleração para o próximo ano é atribuída à retirada de apoio fiscal, incertezas globais e a manutenção de políticas monetárias restritivas para controle da inflação.
- Argentina: Apresentou a maior redução de estimativa de produção. O FMI projeta agora um crescimento de 2,1% para este ano e 4,5% para 2025 (abaixo dos 3,5% previstos em julho). Para 2027, a previsão caiu de 4% para 3,5%. A inflação argentina deve recuar para 32,5% este ano, contra 41,9% em 2025.
- México: Foi a exceção no curto prazo, com a previsão para 2026 subindo de 1,2% para 1,5%, impulsionada por investimentos e exportações ligadas a cadeias de suprimentos de IA. Contudo, a projeção para 2027 foi reduzida de 1,9% para 1,8% devido a incertezas comerciais.
Outros indicadores apontam que o Chile terá seu crescimento reduzido de 2,5% para 0,6% este ano. Na Bolívia, a expectativa é de uma contração de 3% após a queda de 1,6% em 2025. Já na Venezuela, a inflação deve saltar de 252% para 467,9%.
Riscos financeiros
O cenário permanece com tendência negativa. O FMI alerta que a instabilidade nos mercados pode prejudicar economias emergentes, resultando em maior pressão sobre as moedas locais, condições financeiras mais rígidas e elevação dos custos de endividamento público.