Economia

Fusão entre Tesla e SpaceX criaria a maior operação de consolidação da história

21 de Outubro de 2026 às 09:25 4 min de leitura

Uma fusão entre a Tesla e a SpaceX criaria um conglomerado de 3,5 trilhões de dólares, permitindo que acionistas da fabricante de veículos acessem setores de satélites e IA. A operação depende de aprovação de acionistas da Tesla e poderia liberar um bônus de um bilhão de dólares para Elon Musk

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Fusão entre Tesla e SpaceX criaria a maior operação de consolidação da história
Tesla

Uma eventual fusão entre a Tesla e a SpaceX daria origem a um conglomerado avaliado em aproximadamente 3,5 trilhões de dólares, tornando-se a maior operação de consolidação da história. O movimento transformaria a estrutura de ativos dos acionistas da fabricante de veículos, que passariam a deter participações em setores de satélites, foguetes e inteligência artificial.

Para Elon Musk, a operação resultaria no controle de cerca de um terço da nova companhia, o que impulsionaria a liberação de um bônus imediato de um bilhão de dólares.

Estrutura de controle e governança

A viabilidade da transação enfrenta barreiras distintas em cada empresa. Enquanto na SpaceX Musk detém cerca de 82% dos votos via ações preferenciais, na Tesla sua participação é de aproximadamente 20%. Para que a fusão ocorra, seria necessária a aprovação da maioria das ações em circulação da fabricante de carros, incluindo investidores que historicamente não participam das votações.

Para mitigar essa dificuldade, a Tesla obteve a aprovação da SEC em 29 de setembro para implementar um sistema de "voto automático". O mecanismo permite que investidores registrados tenham seus votos computados automaticamente em reuniões do conselho, embora mantenham a prerrogativa de vetar fusões ou alterar decisões específicas mediante comunicação prévia.

No campo da governança, Musk afirma não participar das negociações por estar em lados opostos da transação. Contudo, Ira Ehrenpreis atua como conselheiro independente em ambas as organizações.

Desempenho operacional e a aposta em IA

A justificativa para a união baseia-se na transição para a era da superinteligência. Entre as sinergias citadas estão a Terafab (fábrica de chips conjunta), o desenvolvimento de robótica, softwares de IA e o Starmind, projeto da SpaceX para centros de dados orbitais.

Entretanto, os indicadores de inteligência artificial da Tesla contrastam com a concorrência:

  • Waymo (Google): Opera em 15 cidades dos EUA, com 500 mil viagens pagas semanais.
  • Apollo Go (Baidu): Superou 22 milhões de viagens em 27 cidades em abril.
  • BYD: Comercializa veículos com autonomia de nível 4 na China, com garantia de cobertura de danos.

A Tesla, por sua vez, oferece o Full Self-Driving, sistema que exige supervisão humana constante. O Cybercab, modelo sem volante ou pedais, opera apenas em áreas restritas e é alvo de uma investigação da NHTSA iniciada em setembro. A empresa tem até 30 de outubro para responder a 21 questionamentos sobre a certificação do veículo. Além disso, o robô Optimus permanece em fase de demonstração fabril, sem aplicação comercial real.

Indicadores financeiros e a questão do Cybertruck

A pressa pela fusão coincide com a queda de 2,1% nas vendas totais da Tesla no terceiro trimestre, totalizando 486.532 unidades, e a perda do título de maior vendedora de carros elétricos do mundo para a BYD em 2025.

Um ponto crítico é a performance do Cybertruck. Com uma linha de produção projetada para 250 mil unidades anuais, a empresa entregou entre 7 mil e 8 mil veículos no último trimestre. Para compensar a baixa demanda, a SpaceX adquiriu Cybertrucks por 131 milhões de dólares em 2025, seguindo o preço de catálogo.

Impacto no pacote de remuneração de Musk

Em novembro de 2025, acionistas aprovaram um pacote de ações para Musk dividido em 12 tramos, condicionado a metas operacionais (como a entrega de 20 milhões de carros ou 1 milhão de robotaxis) e a uma capitalização de mercado de 2 trilhões de dólares.

Uma fusão poderia ativar a cláusula de mudança de controle. Se a SpaceX oferecer 506 dólares por ação, a Tesla atingiria o valor de 2 trilhões de dólares, desbloqueando o primeiro tramo do bônus independentemente do cumprimento das metas operacionais.

Sobre a avaliação da empresa, a Barclays estima o valor da Tesla em 1,5 trilhão de dólares. Já projeções de mercado sugerem que, para tornar a operação atrativa aos acionistas, o preço por ação deveria orbitar os 550 dólares.

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