Gastos com previdência devem atingir 1,2 trilhão de reais em 2027 segundo o CNPS
Gastos com aposentadorias e benefícios previdenciários devem chegar a R$ 1,218 trilhão em 2027, com alta de 7,92% sobre a projeção de 2026. Diante disso, candidatos às eleições de 2026 divergem entre a manutenção de reajustes reais do salário mínimo e a desindexação de benefícios
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As despesas com aposentadorias e benefícios previdenciários devem atingir R$ 1,218 trilhão em 2027, segundo dados do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS). O montante representa um crescimento de 7,92% em comparação à projeção para 2026, pressionando as contas públicas em um momento de contenção de gastos. Recentemente, o governo já promoveu uma redução de R$ 5 bilhões na previsão de gastos da Previdência para 2027.
Nesse cenário, a manutenção ou alteração dos mecanismos de indexação — a vinculação automática do reajuste de benefícios e do salário mínimo à inflação do ano anterior — tornou-se um ponto central nas propostas para a eleição de 2026. A desindexação permitiria que esses valores tivessem regras próprias de correção ou dependessem de decisões anuais do Executivo e do Legislativo.
Propostas de manutenção e valorização real
O atual presidente, candidato à reeleição, defende a continuidade da regra de reajustes do salário mínimo, com a garantia de aumentos reais para trabalhadores, aposentados e beneficiários do BPC. Sua estratégia para a Previdência foca na ampliação do acesso e na diversificação do custeio, incluindo a regulamentação da contribuição de trabalhadores de aplicativos.
Outras candidaturas propõem a elevação do poder de compra:
- Caiado pretende manter a regra atual, que combina inflação e crescimento econômico.
- Escritor (candidato) garante a reposição inflacionária acrescida de 1% ao ano.
- Samara Martins defende aumento imediato de 100% no salário mínimo, visando o valor calculado pelo Dieese (R$ 7.565,86 em agosto), além da revogação do arcabouço fiscal e da reforma da Previdência.
- Edmilson Costa (PCB) propõe atingir o valor do Dieese em quatro anos e isentar do Imposto de Renda quem ganha até esse patamar.
- Hertz Dias sugere aumento de 100% no mínimo, redução da idade para aposentadoria e revogação da reforma de 2019.
- Rui Costa Pimenta defende um salário vital de ao menos R$ 7.500, com reajustes automáticos a cada 3% de inflação e aposentadoria integral após 25 anos para mulheres e 30 para homens.
Reformas estruturais e desindexação
Algumas candidaturas focam na sustentabilidade fiscal e na revisão de normas:
Renan Santos propõe a "PEC do Equilíbrio Fiscal", que prevê a desindexação de benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, corrigindo-os exclusivamente pelo IPCA. O candidato também defende uma nova reforma da Previdência.
Zema (Novo) defende uma reforma previdenciária abrangente, incluindo esferas municipais, estaduais, rural e militar. Sua proposta inclui a criação de um reajuste automático da idade mínima baseado na expectativa de vida. Embora garanta a reposição da inflação no salário mínimo, não se comprometeu com aumento real.
No campo da gestão e tributação:
- Candidato do PL foca em digitalização, combate a fraudes e blindagem de fundos de pensão de estatais contra indicações políticas. Propõe a redução de cargos comissionados e o corte de no mínimo 10 ministérios.
- Grassi (Democrata) sugere substituir a contribuição previdenciária patronal sobre a folha pelo Imposto Único Federal e vincular a isenção do Imposto de Renda ao ganho real do mínimo.
- Avalanche (PRTB) propõe a criação de um imposto único de 3,5% para substituir diversos tributos, incluindo a contribuição ao INSS.