Economia

Governo brasileiro decide não discursar em audiências dos Estados Unidos sobre tarifas contra produtos nacionais

06 de Julho de 2026 às 12:06

O governo brasileiro não discursará nas audiências públicas dos Estados Unidos sobre tarifas a produtos nacionais, atuando apenas como observador. A estratégia oficial foca em articulações diretas e propostas de encaminhamento, com prazo de acordo até 15 de julho. O senador Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo se inscreveram para falar no evento

O governo brasileiro optou por não se inscrever para discursar nas audiências públicas iniciadas nesta segunda-feira (6), nos Estados Unidos, sobre a implementação de tarifas contra produtos brasileiros. A embaixada em Washington enviará representantes apenas como observadores para acompanhar os argumentos apresentados. O processo ocorre no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão que formula a política comercial americana e permite a participação de interessados mediante inscrição.

Nesse contexto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o influenciador Paulo Figueiredo se inscreveram para falar, com a abertura do segundo dia de audiências sob responsabilidade do parlamentar.

A estratégia oficial do Brasil foca na articulação direta. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, defendeu a manutenção dessa linha de diálogo e ressaltou a necessidade de diversificar destinos comerciais. Pereira apontou que o país abriu mais de 500 novos mercados para seus segmentos econômicos nos últimos três anos e meio, citando a capacidade de exportação de pequenas e médias empresas e a celebração de um acordo com a União Europeia.

No campo das negociações, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se recentemente com Jamieson Greer, representante do USTR, com novas conversas previstas. O governo brasileiro já apresentou uma proposta de encaminhamento sobre seis pontos questionados pelos Estados Unidos, mas ainda aguarda resposta formal. O prazo final para a conclusão de um acordo é 15 de julho. Para tentar viabilizar o entendimento, o Brasil tem apresentado dados sobre a relação comercial e as ações de combate ao desmatamento.

Internamente, integrantes do Itamaraty e do Palácio do Planalto avaliam que a recomendação do USTR possui motivação política, ignorando argumentos técnicos discutidos no último ano. A análise baseia-se na similaridade entre os documentos de início da investigação comercial, de julho de 2025, e a recomendação tarifária de junho de 2026. Devido a esse cenário, a expectativa governamental não é a reversão total do tarifaço, mas a obtenção de exceções ou a redução dos impostos.

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