Economia

Governo brasileiro negocia com Estados Unidos para evitar sanções financeiras contra bancos e o PIX

01 de Junho de 2026 às 09:06

O governo brasileiro planeja reuniões com os Estados Unidos para discutir a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. O ministro Dario Durigan alertou que a medida pode gerar sanções do Tesouro americano a instituições financeiras e impactar a operação do PIX. A Fazenda busca negociações diplomáticas e o envio de dados técnicos para mitigar riscos econômicos

O governo brasileiro planeja reuniões com autoridades dos Estados Unidos para tratar da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou que a medida eleva o risco jurídico de operações financeiras, podendo resultar em sanções do Tesouro americano contra instituições brasileiras caso seja identificado o trânsito de recursos ligados a essas facções.

A decisão norte-americana impõe maior rigor aos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e à identificação da origem de capitais, levando bancos e empresas a revisarem seus controles internos para evitar penalidades. Em um cenário extremo, Durigan pontuou que a sanção a um banco brasileiro poderia comprometer a operação do PIX, caso o sistema seja apontado como via de movimentação financeira de grupos criminosos. No entanto, o ministro assegurou que não existe ameaça imediata ao funcionamento do sistema de pagamentos, sendo a preservação desta ferramenta a prioridade do governo.

O tema converge com a investigação comercial aberta por Washington em julho do ano passado, fundamentada na Seção 301. O governo dos Estados Unidos questiona se o PIX gera distorções competitivas e práticas comerciais desleais que restringiriam o acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro. Durigan classifica tais alegações como políticas e sem base técnica, ressaltando que a investigação não apresenta evidências concretas.

O ministro relacionou a pressão externa a movimentações políticas, citando a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. No encontro com o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, o senador afirmou que Rubio era favorável à classificação das facções como terroristas. O governo brasileiro manifestou preocupação com a possibilidade de interferência estrangeira em assuntos internos e com os eventuais impactos econômicos de medidas externas sobre políticas nacionais.

Para mitigar os riscos e rebater os questionamentos, a Fazenda aposta em negociações diplomáticas e no fornecimento de dados técnicos às autoridades dos Estados Unidos, visando proteger o sistema financeiro e evitar barreiras ao comércio bilateral.

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