Economia

Governo brasileiro planeja captar 10 bilhões de yuans em sua primeira emissão de panda bonds

12 de Setembro de 2026 às 18:00 2 min de leitura

O governo brasileiro planeja captar cerca de 10 bilhões de yuans por meio de sua primeira emissão de panda bonds entre setembro e outubro. A operação, enviada ao Banco Popular da China em junho, busca taxas de juros menores que as de captações em dólares

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Governo brasileiro planeja captar 10 bilhões de yuans em sua primeira emissão de panda bonds
Ilustração: João Brito

O governo brasileiro planeja captar aproximadamente 10 bilhões de yuans (cerca de US$ 1,48 bilhão) por meio de sua primeira emissão de panda bonds. A operação, que consiste na emissão de títulos de dívida na moeda chinesa para atrair investidores na Ásia, deve ocorrer entre a última semana de setembro e o mês de outubro.

A viabilização do processo teve início em 25 de junho, quando o ministro da Fazenda, Dario Durigan, encaminhou a carta de intenções do Tesouro Nacional ao Banco Popular da China. Embora a operação ainda dependa da aprovação de órgãos reguladores chineses, o prazo médio de três meses para emissões recentes no mercado asiático indica que a janela de captação soberana brasileira poderá abrir no final deste mês.

Custos e riscos da operação

A principal vantagem da emissão em yuan reside no custo financeiro. Operações recentes de governos e empresas registraram taxas entre 1,70% e 2,05% ao ano, valor significativamente inferior ao yield de 6,4% anuais da última captação de 10 anos feita pelo Brasil em dólares.

O risco central da estratégia é a volatilidade cambial. Contudo, a oscilação entre o real e o yuan tem sido baixa; entre janeiro e setembro, a moeda chinesa acumulou alta de 1,76% frente à brasileira. O subsecretário da Dívida Pública, Francisco Segundo, ressaltou que a concretização da emissão está condicionada a condições favoráveis de mercado.

Impacto no setor corporativo

A movimentação do Tesouro Nacional pode pavimentar o caminho para que companhias brasileiras também acessem o mercado de capitais chinês. A Vale já manifestou interesse em emitir títulos em yuan ainda este ano, justificando a naturalidade da operação dado que a China absorve cerca de 50% da receita da mineradora.

Além da Vale, outras empresas com forte exposição comercial ao mercado chinês, como JBS, WEG e Embraer, podem ter interesse em captar recursos nessa modalidade.

Contexto político e financeiro

A busca por alternativas de financiamento em yuan também pode ser impulsionada pelo calendário eleitoral de outubro e novembro. A volatilidade típica de anos de eleição presidencial tende a distorcer as janelas de emissão de bonds tradicionais, tornando a diversificação de moedas uma alternativa estratégica para a gestão da dívida.

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