Economia

Governo federal implementou medidas de estímulo econômico que totalizam 283,2 bilhões de reais este ano

03 de Agosto de 2026 às 15:05

O governo federal implementou R$ 283,2 bilhões em estímulo econômico desde o início do ano, sendo que 69% desse valor depende de contratação de dívidas. A estratégia prioriza o sistema financeiro e fundos estatais, enquanto o programa Move Brasil liberou R$ 2 bilhões dos R$ 30 bilhões previstos

As medidas de estímulo econômico implementadas pelo governo federal desde o início do ano totalizam R$ 283,2 bilhões. O montante, compilado pelo banco suíço UBS com foco nos impactos para 2026, aproxima-se do volume de R$ 325 bilhões (valores corrigidos pela inflação) mobilizado na ofensiva econômica de quatro anos atrás, durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Estratégias de mobilização de recursos

Diferente do modelo adotado em 2022, que utilizou a "PEC Kamikaze" para injetar R$ 167,7 bilhões em isenções e desonerações (51,6%) e R$ 123 bilhões em reforços a programas sociais como o Auxílio Brasil, Auxílio Caminhoneiro e Auxílio Taxista (37,9%), a atual gestão opera sob as limitações do arcabouço fiscal.

A estratégia atual prioriza a utilização do sistema financeiro e de fundos estatais de garantia para gerar percepção de bem-estar sem onerar diretamente o caixa do Tesouro. Desse total, R$ 193,5 bilhões (69%) dependem da contratação de dívidas por parte de cidadãos e empresas.

Obstáculos ao crédito e inadimplência

A eficácia dessa política de crédito enfrenta a barreira da inadimplência recorde e do endividamento crescente da população. Esse cenário é evidenciado pelo programa Move Brasil, destinado a motoristas de aplicativo e taxistas com R$ 30 bilhões previstos para a compra de veículos. No segundo mês de operação, a iniciativa liberou apenas R$ 2 bilhões, representando 7,3% do valor total destinado.

Entre as demais frentes de atuação do governo estão a oferta de empréstimos com garantias estatais e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.

Posicionamento do Ministério da Fazenda

O Ministério da Fazenda refuta a tese de que as medidas possuam caráter eleitoral, sustentando que a prioridade é o equilíbrio das contas públicas e a obtenção de superávits primários a curto prazo. A pasta destaca a aprovação de cerca de 70 políticas públicas econômicas pelo Congresso Nacional desde o início da gestão, citando o "Novo Desenrola Brasil" como uma ação estrutural para mitigar o endividamento familiar pós-pandemia.

Sobre o custo da dívida pública e as taxas de juros, o órgão argumenta que os valores são influenciados por prêmios de risco fiscal, cambial e inflacionário, além da política monetária para convergência da inflação. O Ministério ressalta que o juro médio americano, referência global, atingiu máximas de 20 anos desde setembro de 2023, o que pressiona a curva de juros no Brasil e eleva o custo de rolagem da dívida.

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