Economia

Governo federal prevê aporte de 6 bilhões de reais para os Correios no orçamento de 2027

01 de Setembro de 2026 às 07:17 3 min de leitura

O governo federal previu no PLOA 2027 um aporte de R$ 6 bilhões para os Correios, visando cumprir contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões. A medida ocorre após a estatal registrar prejuízo de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre de 2026

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Governo federal prevê aporte de 6 bilhões de reais para os Correios no orçamento de 2027
© FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL

O governo federal incluiu no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 a previsão de um aporte de R$ 6 bilhões para os Correios. O montante, que será encaminhado ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31), integra o plano de reestruturação da estatal e cumpre cláusulas de um contrato de financiamento firmado no final de 2025.

A injeção de capital é uma exigência do empréstimo de R$ 12 bilhões contraído com cinco instituições financeiras — Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. O acordo estabelece que a União deve disponibilizar os R$ 6 bilhões até o encerramento de 2027 para viabilizar o reequilíbrio da empresa, embora o governo tenha autonomia para definir o cronograma e a forma de repasse.

Impacto financeiro e riscos fiscais

A operação de crédito possui garantia do Tesouro Nacional, o que torna a União a responsável final pela quitação da dívida caso a estatal não honre seus compromissos. O descumprimento do aporte mínimo pode levar os bancos a exigirem o vencimento antecipado do total de R$ 12 bilhões, obrigando o governo a liquidar o valor integral acrescido de encargos. Essa obrigatoriedade foi reforçada por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) em maio.

Desempenho operacional e prejuízos

A medida ocorre em um cenário de instabilidade financeira. No segundo trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões. No acumulado do primeiro semestre, a perda total somou R$ 5,5 bilhões, valor 30,4% superior ao resultado negativo do mesmo período do ano anterior.

No primeiro semestre, a estatal apresentou os seguintes indicadores:

  • Receita: R$ 7,9 bilhões;
  • Margem bruta: R$ 274,5 milhões;
  • Ebitda: R$ 910 milhões (18% acima da previsão);
  • Custos de serviços: R$ 7,6 bilhões (14% abaixo do orçado).

A pressão sobre as contas é atribuída à concorrência no setor de logística, queda nas receitas de serviços postais tradicionais — com recuo de R$ 460,4 milhões no segmento internacional —, custos operacionais elevados, passivos judiciais e a manutenção da rede de serviço postal universal.

Reestruturação e gestão da dívida

Para reverter o quadro, a empresa implementou um plano de reestruturação que inclui a venda de imóveis ociosos, renegociação de contratos, criação de um marketplace próprio e a adoção de trabalho presencial. Na área de recursos humanos, houve a implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), que resultou no desligamento de 6.545 empregados (sendo 2.767 apenas no primeiro semestre), gerando uma economia de R$ 233,7 milhões em despesas de pessoal, que recuaram 4,2%.

No campo do endividamento, a estatal quitou antecipadamente R$ 1,8 bilhão em dívidas bancárias e regularizou passivos vencidos, economizando R$ 322 milhões. O perfil da dívida foi alongado, com prazos que saltaram de 18 para 180 meses, eliminando empréstimos com vencimento no curto prazo. Atualmente, a empresa negocia uma nova linha de crédito de aproximadamente R$ 7 bilhões, também com aval da União.

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