Governo federal torna permanente estrutura de combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado
O governo federal tornará permanente a Operação Carbono Oculto para combater a lavagem de dinheiro e o crime organizado. A Receita Federal utiliza inteligência artificial para cruzar dados de fundos de investimento e cancelou cerca de mil CNPJs vinculados a contas comprometidas
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O governo federal irá converter a Operação Carbono Oculto em uma estrutura permanente de combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (31) por Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, durante o Macro Day, evento do BTG Pactual.
Para viabilizar a estratégia, a Receita Federal implementou um sistema de inteligência artificial treinado com os padrões identificados na operação original, ocorrida há um ano. A tecnologia realiza o cruzamento de dados de todos os fundos de investimento do país com setores vulneráveis, como o de combustíveis, para detectar movimentações incompatíveis e ocultação de patrimônio. A meta é que essa ferramenta permita a execução de ofensivas contra esquemas ilícitos a cada dois meses.
Ações de fiscalização e histórico
A Operação Carbono Oculto, fruto de uma cooperação entre a Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Secretaria da Fazenda de São Paulo, mapeou como organizações criminosas utilizavam postos de combustíveis, fintechs e empresas de investimentos para lavar recursos.
Como medida imediata e em marcação ao primeiro ano da operação, a Receita Federal cancelou, na última sexta-feira (28), aproximadamente mil CNPJs vinculados a contas bancárias comprometidas, o que impossibilita a emissão de notas fiscais por essas entidades.
Reformas regulatórias e crédito
Paralelamente ao combate ao crime, o governo planeja revisões na regulação do sistema financeiro e nas normas de falências e recuperação judicial. A iniciativa da Secretaria de Reforma Econômica, liderada por Regis Dudena, visa mitigar abusos processuais, ampliar a segurança para credores e, consequentemente, reduzir o spread bancário — a diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados nos empréstimos.
A necessidade de atualização normativa foi impulsionada por fragilidades expostas em casos recentes:
- Banco Master: entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025 após crise de liquidez detectada pelo Banco Central, resultando na prisão do controlador Daniel Vorcaro.
- REAG: gestora citada nas investigações da Operação Carbono Oculto por movimentações ligadas à lavagem de dinheiro.
A administração federal argumenta que as regras vigentes geram insegurança jurídica e dificultam a recuperação de créditos, o que encarece o custo final do crédito para consumidores e empresas.