IBC-Br avança 0,2% no segundo trimestre e indica desaceleração da economia brasileira
O IBC-Br cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2026, segundo o Banco Central. O índice registrou alta de 0,5% na indústria, 0,3% na agropecuária e queda de 0,1% nos serviços. Em junho, houve recuo de 0,6% em relação ao mês anterior
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/z/5/rjB8orTGm7GFFTMqP9Dw/design-sem-nome-2022-12-09t211337.634.png)
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), indicador utilizado como prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,2% no segundo trimestre deste ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (17). O resultado, calculado com ajuste sazonal, aponta para uma forte desaceleração da economia brasileira, visto que a expansão registrada no primeiro trimestre de 2026 foi de 1,3%.
Este desempenho representa o pior resultado do indicador desde o terceiro trimestre de 2025, período em que houve uma retração de 0,5%.
Desempenho por setores e indicadores mensais
A atividade econômica apresentou comportamentos distintos entre as áreas produtivas no segundo trimestre:
- Indústria: + 0,5%
- Agropecuária: + 0,3%
- Serviços: - 0,1%
No recorte mensal, o IBC-Br recuou 0,6% em junho em relação a maio, marcando a primeira queda em três meses e revertendo a estabilidade observada em fevereiro. Já na comparação sem ajuste sazonal, o índice registrou alta de 2% em relação a junho de 2025.
No acumulado de 12 meses até junho, a expansão foi de 1,5%, mesmo percentual observado na comparação com o primeiro trimestre de 2025 (também sem ajuste sazonal).
Estratégia monetária e estímulos fiscais
A desaceleração do ritmo de crescimento é parte da estratégia do Banco Central para conter pressões inflacionárias. Na ata da última reunião do Copom, a autarquia destacou que o hiato do produto permanece positivo, indicando que a economia opera acima de seu potencial de crescimento sem gerar inflação.
Esse cenário contrasta com as medidas de estímulo adotadas pelo governo em ano eleitoral para fomentar a demanda e reduzir o endividamento, tais como:
- Isenção de Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil;
- Liberação de saldos do FGTS;
- Oferta de linhas de crédito com custos reduzidos.
Projeções e metodologia
Para o fechamento de 2026, a expectativa é de que a economia brasileira cresça cerca de 2%, patamar inferior aos 2,3% registrados no ano anterior.
Diferente do PIB, calculado pelo IBGE, o IBC-Br baseia-se em um conjunto mais restrito de informações, incorporando estimativas de impostos, indústria, serviços e agropecuária, mas desconsiderando a demanda. O índice é peça fundamental para a definição da taxa básica de juros, pois um crescimento acelerado tende a elevar a pressão inflacionária, dificultando a redução dos juros.
O dado oficial do PIB referente ao segundo semestre será divulgado pelo IBGE no dia 1º de setembro.