Economia

IGP-M tem a maior alta mensal desde maio de 2021 impulsionada por conflitos no Oriente Médio

30 de Abril de 2026 às 06:22

O IGP-M subiu 2,73% em abril, a maior alta mensal desde maio de 2021, elevando o acumulado de 12 meses para 0,61%. O avanço foi impulsionado pelo aumento do petróleo, refletindo-se nas altas do IPA (3,49%), do IPC (0,94%) e do INCC (1,04%)

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 2,73% em abril, o maior avanço mensal desde maio de 2021, quando o indicador chegou a 4,10%. O resultado interrompe uma sequência de cinco meses de deflação e eleva o acumulado de 12 meses para 0,61%, após ter fechado março com 0,52% e abril de 2025 com 0,24%.

O movimento foi impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro com ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã. A instabilidade na região, especialmente no Estreito de Ormuz — rota por onde circula 20% da produção global de óleo e gás —, resultou no bloqueio da passagem pelo Irã, reduzindo a oferta de petróleo e encarecendo a commodity no mercado internacional.

O impacto refletiu-se nos três componentes do índice apurado pela FGV entre 21 de março e 20 de abril, com base em coletas em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que detém 60% do peso do IGP-M, subiu 3,49%, a maior alta desde maio de 2021 (5,23%). Nesse grupo, as matérias-primas brutas avançaram quase 6%, com repasses significativos em itens petroquímicos, como embalagens plásticas para o varejo.

No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), responsável por 30% do indicador, a alta foi de 0,94%. O grupo de transportes cresceu 2,26%, pressionado pela subida do óleo diesel (14,93%) e da gasolina (6,29%). Outros itens com altas expressivas foram o tomate (13,44%) e o leite longa vida (9,20%), além da tarifa de energia elétrica residencial, que subiu 0,80%. O aumento do diesel, principal combustível de caminhões, encarece o frete e propaga a inflação para os alimentos.

O terceiro componente, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), teve alta de 1,04%.

Para mitigar a escalada dos preços dos derivados de petróleo, o governo brasileiro implementou subsídios a importadores e produtores, além de isenções tributárias. O IGP-M é a referência principal para o reajuste anual de contratos de aluguel e de diversas tarifas públicas e serviços essenciais.

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